Abuja (Nigéria) – O cardeal John Onaiyekan, arcebispo emérito de Abuja, afirmou que o governo do presidente Bola Ahmed Tinubu “não tem desculpa” para a escalada de sequestros e da violência no país. Em entrevista concedida em 14 de julho de 2026 à ACI Africa, durante a celebração dos 25 anos da Organização dos Homens Católicos da Nigéria, o líder religioso de 82 anos disse que a recente libertação de crianças mantidas em cativeiro por quase dois meses mostra que é possível desmantelar as quadrilhas, desde que haja vontade política.
“Podemos agradecer a Deus e reconhecer o esforço do presidente, mas o sequestro jamais deveria ter ocorrido se o governo estivesse mesmo comprometido em combater a insegurança”, declarou. Para o cardeal, a libertação dos estudantes não significa o fim da crise: “Há, talvez, centenas de pessoas ainda nas mãos de terroristas exigindo resgate.”
Onaiyekan questionou a capacidade das forças de segurança, dizendo que os criminosos mantêm acampamentos estruturados onde vítimas permanecem por longos períodos sem serem incomodadas. “Pelo vídeo, ficou claro que aquelas crianças não passaram 60 dias dormindo no mato. Muitas vezes, os sequestradores montam suas próprias aldeias”, criticou.
Ao celebrar o retorno das crianças, o cardeal pediu que o Estado ofereça atendimento psicossocial e espiritual. “Depois de 60 dias nessas condições, elas necessitam de terapia especial; algumas têm apenas 2 anos, e o trauma pode comprometer o futuro”, alertou.
Durante o evento comemorativo, Onaiyekan lembrou ter fundado a Organização dos Homens Católicos da Nigéria no Centro Papa João Paulo II há 25 anos, inspirado pelo êxito da ala feminina da Igreja. Ele convocou os membros a exercerem a paternidade de forma plena, transformando seus lares em “igrejas domésticas” baseadas em oração, integridade e serviço.
“A força da Igreja e da sociedade começa na família. Um pai não deve só colocar comida na mesa, mas também conduzir a família a Deus”, concluiu o cardeal, defendendo que a segurança no país só será reconhecida quando todos puderem circular “livremente e sem medo”.
Com informações de Gazeta do Povo