A Polícia Federal está investigando a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil para os Estados Unidos, que ocorreu logo após o segundo turno das eleições, levantando suspeitas de uma operação de extração internacional. A apuração analisa se essa movimentação violou ordens judiciais do STF, que impediram o parlamentar de deixar o país e exigiram a entrega de seus passaportes.
Especialistas em segurança definem uma operação de extração como um plano meticulosamente elaborado para retirar uma pessoa de um território de forma discreta e eficiente. No caso de Flávio, a suspeita é que sua viagem tenha sido uma estratégia para contornar a vigilância das autoridades brasileiras. Há indícios de que foram utilizadas manobras falsas para desviar a atenção enquanto o senador cruzava a fronteira.
Dentre os detalhes da investigação, destaca-se a presença de um cidadão israelense, ex-membro do serviço de inteligência de Israel, que entrou no Brasil pouco antes da viagem. Registros na Argentina mostraram que duas vans atravessaram a fronteira com apenas sete minutos de diferença: uma levando a família de Flávio e a outra transportando o israelense e um advogado. A Polícia Federal também investiga o uso de jatos executivos, incluindo um possível voo de Brasília para a Argentina antes da chegada à Flórida.
O trecho final da viagem, entre a Argentina e os Estados Unidos, foi realizado em um Gulfstream G400, um jato de luxo da companhia Baires Fly. O custo do voo foi de 150 mil dólares, aproximadamente 800 mil reais, e o pagamento foi feito por meio de uma conta empresarial nos EUA. A polícia busca identificar o verdadeiro financiador dessa operação.
Em defesa, Flávio Bolsonaro afirma ser alvo de perseguição política e considera sua saída uma reação a medidas judiciais que julga injustas, negando que tenha fugido do Brasil. Atualmente, ele é investigado em dois inquéritos no STF, mas não é réu nem está classificado como foragido. Para corroborar a hipótese de uma extração organizada, a Polícia Federal procura por contratos, comunicações e depoimentos que possam evidenciar uma coordenação no processo, embora a cooperação internacional possa ser um obstáculo, dado o contexto político dos países envolvidos.
Fonte: Gazeta Do Povo.









