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Boulos critica pressão do mercado por ajuste fiscal e propõe cortes seletivos

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, não poupou críticas à pressão do mercado por ajustes fiscais no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele descreveu essa cobrança como uma “chantagem”.

Boulos sugeriu que os cortes necessários devem focar em áreas como benefícios fiscais e supersalários do funcionalismo público, evitando impactos em setores essenciais como saúde e educação. Segundo ele, o Brasil gasta cerca de R$ 600 bilhões anualmente em desonerações fiscais e aproximadamente R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, valores que deveriam ser considerados na discussão sobre economia.

Além disso, o ministro defendeu a necessidade de uma reforma no Judiciário para abordar a questão dos supersalários. Essa declaração surge em um momento em que a dívida pública do Brasil ultrapassou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando R$ 11,1 trilhões, um aumento significativo em relação aos 71,7% registrados no final de 2022.

Boulos argumentou que a trajetória da dívida brasileira deve ser analisada em comparação com outras grandes economias e rejeitou propostas que transfiram o ônus do ajuste fiscal para a população de baixa renda.

Sobre a governabilidade, o ministro ressaltou que a próxima administração precisará estabelecer um diálogo eficaz com o Congresso e o Judiciário, além de mobilizar apoiadores nas ruas e nas redes sociais. Quando questionado sobre o sucessor de Lula, Boulos evitou especulações, afirmando que a prioridade do governo deve ser cumprir as promessas feitas.

Fonte: Revista Oeste.