Home / Política / Nunes Marques descarta censura ao “Exército do Lula”, mas admite necessidade de mudanças nas regras eleitorais

Nunes Marques descarta censura ao “Exército do Lula”, mas admite necessidade de mudanças nas regras eleitorais

kassio nunes marques foto reproducao youtube tse 1
Spread the love

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, negou ter tentado censurar o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp, destinado a mobilizar eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, o ministro sugeriu que a alteração das regras de funcionamento desse tipo de canal “pode se tornar necessária” para preservar a integridade do processo eleitoral.

As declarações de Nunes Marques ocorrem após o TSE ter reconhecido que houve discussões internas sobre a possibilidade de proibir canais políticos com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas que antecedem o segundo turno, marcado para o próximo domingo (25). Enquanto o presidente do TSE se mostrou contrário à proibição, o vice-presidente André Mendonça afirmou que o tema foi debatido e que houve consenso entre os ministros.

“Em condições normais, acredito que o ideal é não alterar as regras. Contudo, em se tratando de tecnologia, não podemos garantir que a regulamentação atual seja adequada para todas as situações”, comentou Nunes Marques em uma entrevista ao jornal O Globo.

Se a mudança for implementada conforme discutido, o canal de Janones, que conta com quase 9 milhões de participantes, poderá ser suspenso à noite. O mesmo se aplica ao canal “Tropa do Flávio”, de Nikolas Ferreira (PL-MG), que possui mais de 2 milhões de seguidores.

Nunes Marques enfatizou que não está impedindo qualquer colega de propor alterações, mas reafirmou que a iniciativa não partirá da presidência do TSE. “Não disse que essa norma não seria aprovada. Apenas informei que não liderarei essa iniciativa”, destacou.

O TSE também está focado em investigações relacionadas a Janones, que é alvo de pedidos para que plataformas como Meta, Google e X realizem uma revisão quanto a supostas manipulações de busca que poderiam prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro. Janones considera essas medidas como uma forma de perseguição ao seu canal.

“A única forma de evitar a suspensão do canal é denunciando intensamente, fazendo nosso grito de indignação ecoar por todo o país, sem ataques, mas alertando para o que pode ocorrer”, declarou o deputado.

Apesar das controvérsias, o TSE não se pronuncia sobre questões que estão sendo analisadas pela Justiça Eleitoral. “Isso é feito apenas nos autos processuais”, informou a Corte ao ser questionada sobre a possibilidade de o canal de Janones ser retirado do ar.

Nunes Marques ressaltou que o fechamento de um canal específico de WhatsApp poderia ser interpretado como censura, mas, se utilizado para disseminar fake news, isso não seria considerado censura, mas sim a aplicação da legislação brasileira.

O canal “Exército do Lula” já havia sido temporariamente derrubado após denúncias de fake news durante a campanha de Flávio Bolsonaro, embora a equipe técnica do TSE não tenha encontrado evidências que justificassem a suspensão. Após uma disputa interna entre Nunes Marques e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, o canal foi restabelecido após o registro oficial pelo PT.

Nesta sexta-feira (23), Nunes Marques se reunirá com representantes de empresas de tecnologia, incluindo Meta, Google, X, TikTok e Kwai, para discutir a atuação das plataformas na reta final das eleições.

Fonte: Gazeta Do Povo.