Uma reflexão provocativa sobre se milagres realmente poderiam converter ateus surge no livro “Why Christianity Makes Sense”, de Gavin Ortlund. A obra discute a ideia de que a maneira como Deus se revela ao mundo pode ser mais complexa do que simplesmente atos miraculosos.
Ortlund sugere que, embora seja tentador imaginar Deus realizando milagres diariamente, como nuvens formando a frase “Eu sou Deus; eu existo”, essa abordagem pode não ser a mais benéfica para a humanidade. O filósofo Blaise Pascal argumenta que o problema central da humanidade não é a falta de conhecimento, mas o pecado. Assim, uma revelação clara poderia ser contraproducente, pois poderia levar as pessoas a conhecerem a Deus sem, de fato, amá-lo.
Pascal destaca que é perigoso conhecer a Deus sem entender a própria miséria, e vice-versa. Portanto, uma revelação parcial, em vez de uma total, pode ser uma expressão de amor divino, permitindo que as pessoas se aproximem de Deus de maneira mais humilde e verdadeira.
O filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard também contribui para essa discussão, afirmando que a verdadeira fé envolve entrega e risco. Ele utiliza a parábola de um rei que se apaixona por uma camponesa para ilustrar que o amor não pode ser forçado. O rei, ao abrir mão de sua realeza, cria as condições para um amor genuíno, uma analogia do que Deus fez ao se tornar humano em Jesus Cristo.
A realidade, no entanto, é que muitos ateus, como Richard Dawkins, admitem que mesmo a presença de milagres não garantiria sua crença em Deus. Ele reconhece que, mesmo diante de manifestações sobrenaturais, a dúvida prevalece, e muitos poderiam interpretar tais eventos como alucinações ou truques.
A Bíblia, por sua vez, documenta que mesmo os milagres não garantiram a conversão de todos. Por exemplo, o faraó do Egito endureceu seu coração diante das pragas, e as multidões que testemunharam os milagres de Cristo frequentemente pediam mais sinais em vez de seguir a Ele.
Assim, a questão da conversão é complexa e vai além da simples observação de um milagre. Pascal afirma que a verdadeira conversão exige uma transformação interna e uma submissão a Deus, que não pode ser imposta por provas externas.
Para aqueles que buscam uma conexão com Deus, Ortlund encoraja a perseverança na busca espiritual, garantindo que, se continuarem a procurar, encontrarão respostas.
Fonte: Christianity Today.









