No dia 24 de setembro de 2026, o evangelista Michael Cassidy completa 90 anos em sua casa, localizada nos arredores de Pietermaritzburg, na província de KwaZulu-Natal, África do Sul. Mesmo após uma hospitalização recente por pneumonia, Cassidy mantém sua rotina de leitura bíblica e oração pelas cidades africanas.
Reconhecido por suas cruzadas evangelísticas entre as décadas de 1960 e 1990, Cassidy foi fundamental para promover a união entre cristãos negros e brancos durante o regime do apartheid. Ele também ofereceu aconselhamento pastoral a líderes políticos de diferentes tendências, desde os dirigentes do apartheid até opositores militantes.
Atualmente, Cassidy acredita que é essencial que as vozes dos cristãos negros sejam ouvidas no governo sul-africano. Porém, isso não o impede de continuar orando, especialmente durante encontros semanais organizados por sua esposa, Carol, onde orações são feitas tanto por questões pessoais quanto por assuntos nacionais, como leis contra a corrupção.
O legado de Cassidy é marcado por sua visão de que a igreja desempenha um papel crucial na direção que um país toma. Ele afirma: “A igreja recebe o país que merece”. Para ele, se um país enfrenta corrupção e desintegração, isso reflete a falha da igreja em cumprir seu papel como luz e sal do mundo.
Nascido em 1936 em Joanesburgo e criado em Lesoto, Cassidy teve sua conversão em 1955, durante seus estudos em Cambridge, quando um amigo o questionou sobre sua fé. Este momento o levou a um compromisso de vida com o evangelismo, culminando em sua participação em um evento de Billy Graham em Nova York, que solidificou sua convicção de realizar evangelismo nas cidades africanas.
Durante o apartheid, Cassidy organizou o Congresso Sul-Africano de Missão e Evangelismo, reunindo pela primeira vez líderes religiosos de diferentes etnias, que até então não tinham a oportunidade de interagir devido às rígidas políticas de segregação. Ele também promoveu encontros entre políticos brancos e negros, buscando construir um diálogo que pudesse reduzir tensões e facilitar a transição para a democracia após a libertação de Nelson Mandela em 1990.
Mesmo aposentado formalmente desde 2009, Cassidy continua ativo, participando de reuniões e eventos da African Enterprise, a organização que fundou. Ele ainda defende uma abordagem que una a fé cristã com a justiça social, preocupando-se igualmente com questões contemporâneas como a ética em torno da inteligência artificial.
Com sua trajetória de vida marcada pela oração e pela busca de justiça, Cassidy segue sendo uma figura inspiradora, mostrando que a fé pode ser um agente de transformação social e espiritual.
Fonte: Christianity Today.









