Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, abrirão os discursos da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), em Nova York. O pronunciamento de Lula está agendado para as 10 horas (horário de Brasília) e promete focar na “soberania nacional” e em temas de multilateralismo.
Nos bastidores, especula-se que Lula não mencionará Trump diretamente, mas abordará questões sobre conflitos globais, meio ambiente e sustentabilidade. Segundo Maurício Fronzaglia, professor de relações internacionais, o presidente brasileiro também deve destacar o papel do Brasil como interlocutor em negociações de paz e sugerir uma reformulação na estrutura da ONU para garantir maior representatividade ao Sul Global.
Por outro lado, Trump deve reiterar suas críticas à ONU, ressaltando a ineficácia das agências da organização e a burocracia envolvida. Em seu discurso do ano anterior, ele já havia questionado o propósito das Nações Unidas, mencionando que elas frequentemente se limitam a declarações sem ação concreta.
Analistas preveem que Trump dedicará parte de seu discurso à situação no Irã, especialmente em relação à recente ação militar com Israel. Richard Goldberg, consultor da Fundação para a Defesa das Democracias, sugere que Trump cobrará dos membros da Assembleia Geral uma postura ativa contra os desafios do Irã no Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de petróleo.
A professora Natali Hoff, da PUCPR, destaca que ambos os líderes estão em contextos eleitorais — Trump se preparando para as eleições de meio de mandato em novembro, e Lula buscando reafirmar sua posição no cenário internacional. Para Hoff, o discurso de Lula deve enfatizar a defesa das instituições democráticas, embora não inclua menções ao STF, dado o atual clima de tensão entre o governo e a corte.
Por sua vez, Trump deve focar em fortalecer sua base interna, apresentando a guerra do Irã como um componente positivo de sua administração. Fronzaglia observa que o discurso de Trump pode ser um reflexo de sua estratégia de reeleição, buscando reforçar sua narrativa de que os EUA estão prosperando sob sua liderança.
As expectativas são altas para os discursos de ambos os líderes, que não apenas visam influenciar o cenário internacional, mas também moldar a percepção política em seus respectivos países.
Fonte: Gazeta Do Povo.










