No dia 14 de setembro, o ex-presidente Donald Trump indicou Jane “Cissie” Graham Lynch como embaixadora dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional. Se confirmada pelo Senado, Lynch, neta do famoso evangelista Billy Graham, terá a difícil tarefa de lidar com um aumento da perseguição religiosa em um governo que, até o momento, não conseguiu enfrentar essa questão adequadamente.
A primeira administração Trump foi marcada por um forte compromisso com a liberdade religiosa global. Embora a abordagem de Trump fosse considerada oportunista, o ex-vice-presidente Mike Pence era um defensor fervoroso da causa. A nomeação de Sam Brownback, ex-senador e governador do Kansas, elevou o Escritório de Liberdade Religiosa Internacional (IRF) dentro do Departamento de Estado, resultando em um aumento significativo de influência e recursos.
Durante a gestão de Brownback, o Departamento de Estado promoveu conferências globais sobre liberdade religiosa em 2018 e 2019, culminando na Declaração de Potomac, que gerou alianças internacionais e recursos para a causa. Em 2020, o então secretário de Estado, Mike Pompeo, destacou a liberdade religiosa como uma prioridade na política externa dos EUA.
No entanto, a expectativa de que uma segunda administração Trump continuasse esse trabalho não se concretizou. Desde então, o escritório de liberdade religiosa experimentou cortes drásticos em financiamento e pessoal, e está há 20 meses sem um embaixador.
A primeira indicação de Trump para o cargo, o deputado Mark Walker, não conseguiu apoio no Senado e foi forçado a retirar sua candidatura. Sua nomeação para um cargo inferior como “Conselheiro Principal para a Liberdade Religiosa Global” durou apenas três meses, levantando dúvidas sobre a eficácia da nova administração.
Além disso, pela primeira vez em mais de duas décadas, a administração Trump não apresentou os relatórios anuais exigidos sobre a situação da liberdade religiosa em cada país, o que é fundamental para identificar e denunciar a perseguição religiosa.
O impacto dessa retração é evidente. Em 2026, os EUA não reassentaram refugiados religiosos, algo que historicamente faz parte da política americana. O bispo católico Brendan Cahill observou que o país parece ter fechado as portas para aqueles que buscam abrigo devido à perseguição.
Embora haja alguns avanços, como a atenção dada à situação dos cristãos na Nigéria e a libertação de líderes da Igreja Zion na China, a administração se vê ofuscada por erros relacionados à religião, incluindo polêmicas envolvendo o Papa e postagens nas redes sociais.
A mudança drástica entre as administrações Trump 1.0 e 2.0 pode ser atribuída à recusa do ex-presidente em aceitar sua derrota nas eleições de 2020, levando à nomeação de leais incondicionais para seu governo.
A postura atual da administração prioriza a retribuição pessoal e interesses próprios, comprometendo a promoção da liberdade religiosa, um pilar essencial da democracia. Enquanto isso, o nacionalismo cristão se fortalece, ameaçando a equidade prevista por princípios de liberdade religiosa.
Com a nova nomeação de Lynch, espera-se que ela atue como uma defensora da liberdade religiosa dentro da administração e que busque restaurar a prioridade dessa causa na política externa dos EUA.
Fonte: Christianity Today.









