A Polícia Federal deu início, nesta segunda-feira (14), à terceira fase da Operação Transparência, que foca na investigação do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). As investigações visam apurar possíveis casos de tráfico de influência em tribunais superiores e irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
O deputado, figura destacada na bancada evangélica, se tornou alvo das autoridades em um inquérito que também envolve a advogada Valéria Rodrigues Linhares. A investigação se intensifica devido à habilidade política de Cezinha e suas conexões em Brasília.
De acordo com os investigadores, Cezinha teria atuado como intermediário em um encontro entre o ministro do STF, André Mendonça, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Essa reunião ocorreu em março de 2025, no Instituto Iter, e mensagens interceptadas revelam que o deputado organizou a agenda entre os dois.
O Banco Master, posteriormente, foi vinculado a uma das maiores investigações de fraudes financeiras do Brasil, o que coloca a atuação de Cezinha sob análise da PF.
Com uma carreira política marcada por uma estratégia de negociação e distanciamento de confrontos ideológicos, Cezinha de Madureira é pastor do Ministério Madureira e se destaca por sua postura pragmática. Ele mantém influência política independentemente da administração no governo federal.
O parlamentar foi um dos responsáveis pela indicação de André Mendonça ao STF em 2021, e também cultivou uma aliança próxima com o ex-presidente Jair Bolsonaro, participando de eventos como a motociata “Acelera para Cristo”. Atualmente, busca manter diálogo com o governo Lula, evitando entraves nas pautas do Planalto.
Essa capacidade de transitar entre diferentes esferas políticas, incluindo a recente troca do PSD pelo PL de Bolsonaro, levanta questões sobre os limites da influência política de Cezinha e sua atuação dentro da legalidade, à medida que a Operação Transparência avança.
Fonte: Folha Gospel.