O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está avaliando a possibilidade de se distanciar do ministro Alexandre de Moraes em meio à crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF). A tensão institucional entre o Planalto e o Judiciário tem gerado preocupação entre os aliados de Lula, que tentam proteger sua imagem, separando-a da dos ministros mais alinhados ao governo.
A percepção negativa sobre Moraes, segundo a equipe da campanha, acabou refletindo na imagem do presidente. Ultimamente, Lula tem se referido a Moraes como “ministro de [Michel] Temer” e, em entrevista ao SBT, levantou questões sobre sua responsabilidade no caso Master, afirmando que “falta apurar”. O presidente defendeu a investigação e a responsabilização do ministro caso irregularidades sejam comprovadas.
Dentro do PT, há uma pressão crescente para que Lula tome uma posição pública mais firme e peça que Moraes se licencie do cargo para se defender das recentes revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Lula já havia expressado sua preocupação em uma conversa reservada com Moraes, ressaltando a importância de sua biografia e a necessidade de dar explicações à sociedade.
Entretanto, conselheiros próximos ao presidente alertaram sobre os riscos de um rompimento. O afastamento de Moraes poderia gerar desconforto, visto que o ministro desempenhou um papel significativo em decisões que beneficiaram o PT, principalmente nas eleições de 2022 e em articulações políticas no Congresso.
O cientista político Leandro Gabiatti, da Dominium, explica que, atualmente, o foco da campanha de Lula deve ser desviar a atenção da crise no STF e retomar o centro da agenda eleitoral. A reeleição, segundo ele, é mais importante que qualquer aliança política.
Por outro lado, o estrategista eleitoral Roberto Reis alerta que um distanciamento de Moraes neste momento poderia ser interpretado como uma confissão de culpa. Ele compara a situação a momentos anteriores em que Lula se afastou de aliados, mas destaca que o tempo para implementar essa estratégia é curto, com apenas três semanas até a eleição.
A tensão no STF deve atingir um ponto crítico na próxima terça-feira (15), quando está prevista uma sessão extraordinária para analisar um relatório da Polícia Federal que envolve Moraes. A expectativa em torno dessa sessão é alta, uma vez que ela poderá impactar diretamente a imagem do presidente e o andamento de sua campanha.
Fonte: Gazeta Do Povo.