Um violento ataque de uma gangue armada em Kenscoff, comunidade próxima a Porto Príncipe, resultou na morte de pelo menos 47 pessoas, com 22 delas sendo assassinadas dentro de uma igreja onde buscavam abrigo. O incidente ocorreu na noite de domingo, 23 de setembro, e se estendeu pela madrugada de segunda-feira, 24.
De acordo com informações das Nações Unidas, o massacre é atribuído à coalizão de gangues Viv Ansanm, que tem atuado intensamente na região. O prefeito de Kenscoff, Jean Massillon, descreveu a noite como um “terror” e solicitou intervenção das autoridades. “Perdi oito membros da minha família”, desabafou um agricultor local, expressando a desesperança da comunidade em relação à crescente violência.
Além das mortes, relatos de sobreviventes indicam que muitas casas foram incendiadas e mais de 50 pessoas foram sequestradas durante a incursão. Informações da agência Fides confirmaram que um templo da Igreja Evangélica da Arca da Nova Aliança também foi incendiado no ataque.
Em resposta à escalada da violência, o governo haitiano mobilizou tropas adicionais para apoiar a polícia local e instaurou um estado de alerta máximo. “Nossas ordens são claras: proteger e restaurar a autoridade do governo”, declarou um comunicado oficial.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques e ressaltou a necessidade de responsabilizar os criminosos, destacando a grave situação de segurança no Haiti. “Os contínuos ataques das gangues demonstram a urgência de ações mais efetivas contra esses grupos”, afirmou.
A escalada da violência no Haiti é alarmante. Entre abril e junho de 2026, um total de 1.408 pessoas foram assassinadas e 656 ficaram feridas em confrontos relacionados a gangues, segundo dados do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH). Atualmente, estima-se que grupos armados controlam cerca de 70% de Porto Príncipe.
O aumento dos conflitos entre gangues rivais e a luta por recursos ilegais provocaram o deslocamento de mais de 18 mil pessoas na capital, complicando ainda mais o acesso a serviços essenciais como saúde e educação. A violência já forçou aproximadamente 1,5 milhão de haitianos a deixar suas casas.
Fonte: Guiame.










