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Mendonça descreve STF como “ponto culminante do poder” e menciona “grande insatisfação” na Corte

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que ocupar um cargo na Corte equivale ao “ponto culminante do poder humano no âmbito jurídico”. No entanto, ele destacou que seus dois primeiros anos na instituição foram repletos de “grande insatisfação”, enfatizando que a posição traz mais responsabilidades, pressão e encargos do que privilégios ou poder.

Durante o Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira (21), Mendonça também abordou questões relacionadas a finanças, estilo de vida, as exigências da função e fez um aviso aos colegas magistrados: “Não coloque seu coração no poder, não coloque seu coração no dinheiro, pois isso pode levar à frustração”.

André Mendonça assumiu o cargo de ministro do STF em dezembro de 2021, após ser nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo anteriormente exercido as funções de advogado-geral da União (AGU) e ministro da Justiça e Segurança Pública. A indicação de um magistrado evangélico foi especialmente celebrada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Em fevereiro de 2026, Mendonça passou a relatar o caso Master, após o pedido de redistribuição de processos feito por Dias Toffoli, em meio a revelações sobre suas conexões com Daniel Vorcaro. O STF declarou que não havia justificativa para reconhecer a suspeição ou impedimento de Toffoli e validou suas ações realizadas antes da mudança de relatoria.

Como relator, Mendonça decidiu em março pela prisão preventiva de Daniel Vorcaro, em resposta a um pedido da Polícia Federal devido ao suposto risco de interferência nas investigações. O ministro também está à frente de procedimentos no STF relacionados à Operação Sem Desconto, que investiga possíveis casos de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.

Atualmente, o salário-base de um ministro do Supremo é de R$ 46.366,19. Em julho, Mendonça recebeu R$ 30,4 mil líquidos, mas os valores já variaram, chegando a R$ 18,8 mil em maio, o menor entre seus colegas no mesmo período. “Um ministro do tribunal, assim como um juiz em geral, não pode ter a expectativa de enriquecer, pois, mesmo sendo um bom salário, não oferece condições para uma vida sem preocupações financeiras. É necessário controlar as despesas do dia a dia”, declarou.