Uma pesquisa recente do Datafolha, divulgada no último sábado (15), mostra que a maioria dos brasileiros se posiciona contra a eutanásia e o suicídio assistido. Este é o primeiro estudo que analisa a opinião da população sobre a morte assistida no Brasil.
A eutanásia e o suicídio assistido são práticas distintas. A eutanásia ocorre quando um paciente solicita a morte e um profissional de saúde administra a substância que causa o falecimento. O suicídio assistido, por sua vez, acontece quando o próprio paciente ingere a medicação que resulta em sua morte.
De acordo com a pesquisa, 56% dos participantes são contrários à eutanásia, enquanto 60% se opõem ao suicídio assistido. Por outro lado, 39% se manifestaram a favor da eutanásia e 35% apoiam o suicídio assistido.
Quando questionados se médicos deveriam ter a permissão para interromper tratamentos que prolongam a vida de pacientes com doenças sem cura, 48% disseram que sim e 48% que não.
O levantamento foi realizado com 2.050 pessoas em 137 municípios de diversas regiões do Brasil nos dias 3 e 4 de agosto.
O Datafolha detalhou as opiniões dos brasileiros sobre o tema. Um total de 45% se declarou totalmente contra a eutanásia, enquanto 11% se opuseram parcialmente. Por sua vez, 22% são totalmente favoráveis e 17% são parcialmente favoráveis. Outros 2% não se posicionaram e 3% não souberam responder.
No que diz respeito ao suicídio assistido, 50% dos brasileiros são totalmente contrários, 10% são parcialmente contrários, 22% se consideram totalmente a favor e 13% parcialmente a favor. Outros 2% não se posicionaram e 3% não souberam responder.
A pesquisa também indagou se cada indivíduo deveria ter a liberdade de decidir sobre o fim de sua própria vida, incluindo o momento e a maneira de morrer, mesmo que isso significasse antecipar sua morte. Mais da metade (51%) respondeu que não, enquanto 46% afirmaram que sim. Outros 2% não souberam responder e 1% não se posicionou.
Além disso, o Datafolha avaliou se os brasileiros consideravam moralmente certo ou errado um médico ajudar um paciente terminal a morrer a seu pedido. Para 51%, essa conduta é moralmente errada, enquanto 42% a consideram correta. Outros 4% afirmaram que depende da situação e 3% não souberam responder.
A religião e a idade foram fatores determinantes nas opiniões sobre a morte assistida. Os jovens, especialmente, foram os que mais aprovaram a ajuda de um médico para um paciente terminal: 63% dos entrevistados entre 16 e 24 anos consideraram a prática moralmente aceitável. Para a faixa etária de 25 a 34 anos, 48% acharam a prática correta, e 43% dos adultos de 35 a 44 anos também apoiaram o suicídio assistido. Entre as gerações mais velhas, a aprovação é bem menor: apenas 38% dos indivíduos de 45 a 59 anos e 29% dos idosos de 60 anos ou mais se mostraram a favor.
Em relação à religião, apenas 34% dos evangélicos consideram moralmente aceitável um médico ajudar um paciente terminal a morrer. Esse percentual é de 41% entre os católicos e chega a 46% entre entrevistados de outras religiões. Por outro lado, 57% das pessoas sem religião acreditam que é moralmente correto um médico ajudar um paciente terminal a falecer.
No Brasil, a eutanásia não é legalizada e é considerada homicídio segundo o Código Penal. O suicídio assistido também é ilegal e induzir, instigar ou auxiliar ao suicídio é um crime.
Conforme os dados do Datafolha, 16 países ao redor do mundo permitem alguma forma de morte assistida, incluindo Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, França, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai. Na América Latina, Colômbia, Equador e Uruguai são os países que permitem algum tipo de suicídio assistido.









