No último dia 11, milhares de cristãos tomaram as ruas do Paquistão em um clamor por liberdade religiosa, uma data que coincide com o Dia Nacional das Minorias.
Os protestos ocorreram simultaneamente em Karachi, Faisalabad e Lahore, com o objetivo de exigir igualdade e liberdade para as minorias religiosas que sofrem perseguições no país.
Na maior cidade do Paquistão, Karachi, mais de 2 mil pessoas se reuniram no mausoléu de Muhammad Ali Jinnah, o fundador da nação, para a Marcha pelos Direitos das Minorias. Os manifestantes exibiram faixas com frases como “Minha religião, minha vontade” e imagens de vítimas de linchamentos, conversões forçadas, ataques e líderes cristãos assassinados por sua fé.
“Os jovens estão dizendo: ‘Vamos conquistar nossa liberdade’”, afirmou Luke Victor, um dos organizadores da marcha, em entrevista à EWTN News.
Durante o evento, diversos oradores clamaram pelo fim da discriminação religiosa e do extremismo violento que atinge as minorias no país. Além disso, pediram reformas na constituição paquistanesa para que membros de minorias religiosas possam ocupar cargos públicos, como presidências e primeiros-ministros.
Os organizadores da Marcha pelos Direitos das Minorias apresentaram uma carta com 11 propostas para melhorar a situação das minorias religiosas, incluindo a necessidade de uma representação política mais robusta, reformas nos currículos escolares, proteção de propriedades e locais de culto, medidas contra abusos das leis de blasfêmia e a criação de comissões independentes de direitos das minorias.
Os líderes do movimento enfatizaram que o aumento da violência e dos ataques contra minorias gera um clima de medo e insegurança, especialmente entre os jovens.
No comício em Faisalabad, liderado pelo advogado cristão Akmal Bhatti, os manifestantes clamaram pela garantia da liberdade religiosa. As reivindicações incluíram a proibição da conversão forçada de menores, uma cota de 5% para minorias em serviços públicos e instituições educacionais, a remoção de requisitos religiosos para cargos de presidente e primeiro-ministro, e a criação de uma Comissão Nacional de Direitos das Minorias.
O grupo de minorias religiosas no Paquistão inclui cristãos, hindus, sikhs, ahmadis, baha’is, zoroastrianos, budistas e seguidores da fé indígena Kalash. O Dia Nacional das Minorias foi instituído em 2009 para homenagear Shahbaz Bhatti, o primeiro ministro federal católico do Paquistão, conhecido por sua defesa da liberdade religiosa. Em março de 2011, Bhatti foi assassinado em frente à sua residência, após ser atacado por dois homens armados que deixaram panfletos chamando-o de “infiel”.
Atualmente, o Paquistão, onde 96% da população é muçulmana, ocupa a 8ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, sendo considerado um dos lugares mais desafiadores para a prática do cristianismo.









