O Brasil já registra 35 cidadãos mortos e 92 desaparecidos no conflito entre Rússia e Ucrânia, totalizando 127 baixas, segundo dados confirmados pelo Ministério das Relações Exteriores nesta quinta-feira (30). O levantamento, citado pela agência alemã Deutsche Welle, coloca o país como o terceiro com mais perdas entre os combatentes estrangeiros que atuam ao lado de Kiev.
De acordo com a mesma apuração, apenas Estados Unidos e Colômbia apresentam números superiores. Há, porém, a possibilidade de o Brasil subir para a segunda posição, pois as estatísticas norte-americanas também somam 127 entre mortos e desaparecidos, conforme listado na versão ucraniana da Wikipédia.
Português nas trincheiras
A presença brasileira é percebida em batalhões inteiros de falantes de português sob comando de oficiais do país. Imagens do funeral do combatente Edi Soares de Souza circularam recentemente nas redes sociais, reforçando a participação nacional nas frentes de batalha.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, segue incentivando o alistamento de estrangeiros, afirmando publicamente que voluntários “de qualquer parte do mundo” são bem-vindos para lutar contra as forças russas.
Recrutamento dos dois lados
Enquanto a Ucrânia atrai combatentes com salários que podem chegar ao equivalente a R$ 25 mil ou até R$ 50 mil mensais, o lado russo também busca estrangeiros. Autoridades ucranianas denunciaram, por exemplo, uma rede de aliciamento no Panamá que recrutaria jovens sem informar a real finalidade militar.
No campo russo, o reforço inclui 2,3 mil norte-coreanos mortos principalmente na região de Kursk, contingente que recebeu um memorial em Pyongyang pelo nível de baixas.
Histórico do conflito
A guerra começou a escalar em 2014, com a anexação da Crimeia por Moscou e o apoio a separatistas no Donbas. Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia iniciou a invasão em larga escala, pretendendo tomar Kiev rapidamente — objetivo frustrado pela resistência local. Desde então, o front se estabilizou em longas linhas de combate que, até meados de 2026, já provocaram centenas de milhares de baixas e deixaram milhões de deslocados, sem perspectiva de acordo diplomático.
Entre os estrangeiros que decidiram permanecer na Ucrânia está o brasileiro Giovanni Paese, operador de drones que se casou com uma ucraniana, comprou um imóvel e fixou residência definitiva no país.
Com os números mais recentes, o Brasil reforça a estatística de que o conflito é um dos que mais terceiriza o combate de infantaria na história recente, envolvendo militares de várias partes do mundo e elevando o custo humano da guerra.
Com informações de Gazeta do Povo