Brasília, 27 de julho de 2026 – O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, classificou o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o “pior desempenho” do petista na área de reforma agrária.
Em entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL, Rodrigues afirmou que, apesar da “vontade política” de Lula, a pasta da Fazenda e a agenda de ajuste fiscal colocaram o tema “na periferia” das prioridades do governo.
Déficit de assentamentos
Segundo o dirigente, cerca de 10 mil famílias deverão ser assentadas até o fim de 2026, enquanto outras 150 mil permanecem em acampamentos. Nesse ritmo, estimou, seriam necessários “pelo menos 15 anos de governo Lula” para zerar a fila – cenário que considera inaceitável.
Apoio garantido em 2026
Mesmo com as críticas, o MST confirmou apoio à candidatura de Lula à reeleição. Rodrigues, que atuará como um dos coordenadores da campanha, disse que o movimento opta pelo petista por “compromisso com a democracia” e espera que, em um eventual quarto mandato, o presidente promova a reforma agrária “no canetaço”, dispensando aval do Congresso ou do Judiciário.
Alvos de críticas
Rodrigues declarou que há pré-candidatos que defendem a “morte do MST”, motivo pelo qual o movimento não pretende dialogar com esses nomes. Ele citou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que em 2023 propôs endurecer punições a invasões de terra, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acusado de ignorar o MST durante seu mandato.
Cenário pós-Lula
Questionado sobre 2030, o dirigente disse não haver sucessor natural a Lula. Mencionou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, entre possíveis nomes, mas ressaltou que o debate “está em aberto” e dependerá do resultado das eleições de 2026.
Rodrigues reconheceu avanços do atual governo, como ampliação de crédito rural e renegociação de dívidas de pequenos e médios produtores, mas reiterou que a velocidade dos assentamentos precisa aumentar.
Com informações de Gazeta do Povo