Brasília — O Instituto Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, dedicou quase metade do seu Relatório de Acompanhamento Fiscal divulgado nesta quinta-feira (23/07/2026) à situação das empresas estatais federais. O documento aponta “deterioração perceptível” na saúde financeira de parte significativa dessas companhias e adverte que os prejuízos podem recair sobre o Tesouro Nacional em meio a um cenário de forte restrição orçamentária.
Entre os casos considerados mais críticos, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, acumulando quatro anos consecutivos de resultados negativos. Segundo o IFI, a combinação de aumento de custos operacionais, queda de receita e despesas previdenciárias explica o rombo. Também pesou a escalada de 119% nas despesas com precatórios entre 2024 e 2025, consequência de derrota da estatal em ações trabalhistas e da correção monetária de valores já sentenciados.
Dependência do Tesouro
Para medir o grau de dependência das chamadas estatais dependentes — aquelas que recebem recursos do Orçamento para cobrir despesas —, o instituto somou em 2025 as transferências do Tesouro e os restos a pagar quitados no ano. O levantamento mostrou que 16 empresas receberam mais de 70% de seu financiamento diretamente da União:
• Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM): 99,6%
• Amazul: 99,5%
• Grupo Hospitalar Conceição: 99,3%
• Empresa de Pesquisa Energética (EPE): 99,0%
• Codevasf: 98,7%
• Embrapa: 98,4%
• Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares: 97,6%
• Infra S.A.: 96,8%
• Ceitec: 96,7%
• Conab: 95,1%
• CBTU: 94,6%
• Hospital de Clínicas de Porto Alegre: 93,9%
• Nuclep: 88,3%
• EBC: 87,4%
• Trensurb: 77,0%
• Imbel: 71,5%
• Telebrás: 44,0%
Custo médio por servidor
O estudo também calculou o desembolso mensal médio com pessoal em cada empresa. Os maiores valores foram verificados na Embrapa (R$ 41.771,60), Nuclep (R$ 37.583,80) e Ceitec (R$ 32.499,10). Na outra ponta, a Imbel apresentou o menor custo médio, de R$ 6.978,70 por trabalhador.
Para o IFI, a combinação de deficits recorrentes, elevada dependência orçamentária e gastos elevados com pessoal reforça o risco de pressões adicionais sobre as contas públicas caso não haja ajustes de gestão nas estatais.
Com informações de Gazeta do Povo