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Câmara acelera PL que obriga governos a negociar reajuste com servidores todo ano

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Brasília – O governo Lula conseguiu acelerar a tramitação do Projeto de Lei 1.893/2026, que cria regras nacionais para negociação coletiva no serviço público e impõe a gestores da União, estados e municípios a obrigação de sentar à mesa com sindicatos de servidores pelo menos uma vez por ano.

Urgência aprovada

Em junho, a Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para o texto, apresentado por um grupo de trabalho formado pelo Executivo e por centrais sindicais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com isso, a proposta segue diretamente ao plenário, sem análise prévia de comissões. Caso seja aprovada pelos deputados, ainda precisará passar pelo Senado.

O que prevê o projeto

O PL estabelece:

  • mesas permanentes de negociação entre governo e servidores;
  • mecanismos de mediação para resolver impasses;
  • licença remunerada a servidores que exerçam mandato sindical.

Qualquer acordo firmado dependerá da disponibilidade de recursos, dos limites do Orçamento e da aprovação do respectivo Poder Legislativo.

Impacto financeiro

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 12,4 milhões de servidores ativos podem ser alcançados pela medida. Hoje, a folha do funcionalismo brasileiro – entre ativos e inativos – consome cerca de 13% do Produto Interno Bruto, conforme levantamento do Banco Mundial.

Pontos de vista divergentes

Para o professor sênior da FGV-SP Hélio Zylberstajn, o projeto ignora o conflito entre a liberdade de negociar e a rigidez do Orçamento. “Dar poder à negociação para alterar o Orçamento é transferir atribuições do Legislativo”, alertou.

A advogada especializada em direito público Deborah Toni entende que a institucionalização anual das mesas pode aumentar a pressão por concessões e tornar mais difíceis futuras reformas administrativas.

Já o procurador do Estado do Rio de Janeiro Rodrigo Zambão defende a proposta, lembrando que o artigo 8º submete qualquer resultado à análise do chefe do Poder. Para ele, formalizar o diálogo tende a reduzir greves e ações judiciais, pois “negociar não significa, necessariamente, reajustar”.

Efeito sobre greves

Críticos também apontam que o texto não resolve a eficácia limitada das greves no setor público. Zylberstajn sugere, por exemplo, substituir o direito de paralisação por um sistema de arbitragem compulsória, alternativa que não foi incorporada ao PL, que prevê apenas mediação consensual.

A proposta segue sem data definida para votação em plenário, mas o regime de urgência permite que o texto entre na pauta a qualquer momento.

Com informações de Gazeta do Povo