Brasília — O Banco de Brasília (BRB) informou, em fato relevante publicado na última sexta-feira (17), que desistiu da operação que previa a venda de R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master para a gestora Quadra Gestão de Recursos.
Segundo o comunicado, as etapas previstas no memorando de entendimentos firmado entre as partes não foram cumpridas, o que levou a instituição a encerrar as tratativas. O BRB destacou que continuará buscando outros potenciais compradores para os chamados “ativos podres”.
Negociação sob investigação
As conversas sobre a alienação dos ativos vieram à tona em 20 de abril, quatro dias após a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ele é acusado de facilitar a aquisição de papéis sem valor de mercado em troca de benefícios estimados em R$ 146 milhões, distribuídos em seis imóveis localizados em bairros nobres de São Paulo. De acordo com as investigações, apenas parte da operação se concretizou, envolvendo propriedades avaliadas em R$ 74,6 milhões. A defesa de Costa considera a prisão desnecessária e afirma que demonstrará a inexistência de crime.
Busca por socorro financeiro
Com problemas de liquidez, o BRB precisa levantar R$ 6,6 bilhões. Para isso, a instituição aguarda a conclusão de um empréstimo estruturado com recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), articulado após mediação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Tesouro Nacional recusou-se a servir de fiador, mas coordenou a formação de um consórcio de bancos privados para oferecer garantia ao FGC. Caso o BRB não honre o pagamento, esses bancos deverão ser ressarcidos com recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
A operação de crédito ainda não foi finalizada e enfrenta questionamentos sobre a capacidade do governo do Distrito Federal de arcar com as parcelas. Um parecer emitido em abril apontou insuficiência financeira para cumprir o cronograma de pagamentos.
Com informações de Gazeta do Povo