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Bispo espanhol alerta para risco de transformar futebol em “religião” antes da final Espanha x Argentina

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Às vésperas da decisão da Copa do Mundo de 2026, que colocará Espanha e Argentina em campo no domingo (19), o bispo de Orihuela-Alicante, Dom José Ignacio Munilla, advertiu os torcedores sobre a possibilidade de idolatria no esporte.

No programa “Sexto Continente”, transmitido pela Rádio María Espanha, o prelado reconheceu que o futebol “possui valores que merecem ser reconhecidos” ao unir famílias, amigos e oferecer momentos de convivência em uma sociedade cada vez mais individualista. Entretanto, ressaltou que “apreciar o esporte é uma coisa; transformá-lo em religião é algo completamente diferente”.

Munilla lembrou que a era contemporânea “fabrica santos sem santidade” ao elevar jogadores a status de ídolos. Segundo ele, não há problema em admirar quem desenvolve talento com esforço, mas é preciso questionar “quem ocupa o primeiro lugar em nossos corações”.

Modelos de vida

Para o bispo, os santos servem há séculos como referências de “humildade, misericórdia e fidelidade”. Ele sugeriu que pais reflitam sobre o quanto os filhos conhecem biografias de figuras como São Francisco de Assis ou Santa Teresa de Calcutá em comparação a grandes craques do futebol.

Ídolos “de barro”

Munilla alertou que a superexposição de atletas leva à decepção inevitável: “Hoje os elevamos aos céus, amanhã os derrubaremos por um pênalti perdido”. Segundo ele, essa dinâmica mostra que “não amamos as pessoas, mas usamos seus sucessos para alimentar nossas emoções”.

Desproporção financeira

O prelado também comentou a “enorme desproporção” de dinheiro no futebol profissional, afirmando que o mercado atribui preço ao que a sociedade considera indispensável. “O problema está no coração: para onde vai nossa admiração, vão nosso tempo, atenção e recursos”, disse, citando o papa Francisco: “Você grita por um gol, mas é incapaz de louvar a Deus com a mesma intensidade?”.

Vitória e derrota

No plano humano, o bispo destacou que não saber perder é sinal de imaturidade, enquanto humilhar o adversário demonstra incapacidade de vencer com dignidade. “O rival não é inimigo; ele torna o jogo possível”, afirmou.

Concluindo, Munilla reforçou que “uma bola não é o sentido da vida” e que um título “enche uma praça por uma noite, mas só Deus preenche o coração para sempre”.

Com informações de Gazeta do Povo