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Vaticano dá até agosto para fiéis evitarem venda de igreja de 160 anos em Nova York

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Auburn (EUA) — Católicos da pequena cidade de Auburn, no oeste do estado de Nova York, têm poucas semanas para provar ao Vaticano que dispõem de recursos capazes de manter a Igreja da Sagrada Família, construída em 1861, ativa como local sagrado. Caso não apresentem garantias financeiras até o fim do verão norte-americano — prazo que o grupo trabalha para cumprir até 1º de agosto de 2026 — o templo poderá ser vendido a compradores seculares e até demolido.

A pressão recai sobre a Organização Sagrada Família para Preservar e Perdurar (H.O.P.E., na sigla em inglês), formada em julho de 2024, um mês depois de a Diocese de Rochester ter fechado a paróquia alegando problemas estruturais que tornariam o edifício inseguro. Auburn fica a cerca de 40 minutos de Syracuse.

Comprovação financeira

Segundo a H.O.P.E., o Vaticano solicitou evidências de capacidade de “compra, reparo e manutenção” do imóvel. A entidade não recolhe doações em dinheiro neste momento; apenas registra compromissos de doação para demonstrar viabilidade. Até agora, mais de 300 promessas já foram protocoladas, informou a presidente do grupo, Karen Odrzywolski.

Os reparos necessários concentram-se na fachada externa, enquanto o interior permanece preservado após mais de 160 anos de uso, ressaltou Odrzywolski. “Somos gratos pela oportunidade e confiamos que, se comprovado o financiamento, poderemos seguir com a preservação”, afirmou.

Valor histórico

Levantamento da consultoria local Roblee classificou o templo como a “igreja-mãe” de Auburn e peça icônica da linha do horizonte da cidade. O Escritório de Preservação Histórica do Estado de Nova York já reconheceu que o imóvel é elegível para inclusão nos registros históricos estadual e nacional.

A primeira dedicação do local ocorreu em 1830, em uma capela antes usada por metodistas. O prédio atual foi erguido em 1861 pelo construtor holandês John Vanderbosch. A cidade de Auburn acolheu, ainda no início do século XIX, a primeira missa católica na região oeste do estado de Nova York.

Legado de mártir e de arcebispo famoso

Entre os objetivos do movimento está a preservação da memória de Patrick Byrne, delegado apostólico na Coreia e martirizado em 1950 durante marcha forçada sob custódia de forças comunistas. Byrne viveu a poucos quarteirões da igreja, onde foi crismado em 1900. Outro momento histórico do templo ocorreu em 1968, quando o então bispo de Rochester, Fulton Sheen — hoje reconhecido como Venerável pela Igreja — celebrou ali o funeral do padre William Davie.

Além das missas ocasionais, o plano de preservação prevê permanência do espaço para grupos de rosário, orações privadas, concertos de música sacra, exposições de arte religiosa e visitas guiadas de arquitetura.

“Precisamos que indivíduos, famílias e empresas se unam. O futuro de Auburn — e a honra ao bispo Byrne — estão em jogo”, declarou Odrzywolski, reforçando que não haverá “segunda chance” caso o Vaticano considere insuficientes as garantias apresentadas.

Com informações de Gazeta do Povo