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Parasita em alface do Taco Bell desencadeia surto de diarreia explosiva nos EUA durante a Copa

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Washington (17.jul.2026) – Autoridades de saúde norte-americanas investigam um surto de ciclosporíase que já contaminou 1.664 pessoas em 34 estados desde 1.º de maio, coincidindo com o período da Copa do Mundo. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) atribui a origem do problema à alface usada pela rede de restaurantes Taco Bell.

Segundo o CDC, 94 pacientes precisaram de hospitalização. O estado de Michigan concentra o maior número de registros e ultrapassou a marca de 3 mil casos sob investigação.

Retirada de produto em cinco estados

Diante do avanço dos casos, o Taco Bell recolheu preventivamente lotes de alface americana picada em unidades de Indiana, Kentucky, Michigan, Ohio e Virgínia Ocidental. A operação foi conduzida em conjunto com a Food and Drug Administration (FDA) e o CDC.

Testes laboratoriais identificaram que o vegetal vinha de um único fornecedor sediado no México, a Taylor Farms. Em comunicado divulgado no LinkedIn, a cadeia de fast-food informou ter trocado de fornecedor em 24 horas e reiterou que “a segurança dos clientes é prioridade”. Após a confirmação da contaminação, as ações da empresa recuaram nas bolsas norte-americanas.

O que é a ciclosporíase

A doença é provocada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, transmitido pela ingestão de água ou alimentos crus contaminados por fezes humanas ou animais. O principal sintoma é a diarreia aquosa persistente — frequentemente descrita como “explosiva” — que costuma surgir cerca de uma semana após a exposição.

Outros sinais incluem perda de apetite, emagrecimento rápido, náuseas, vômitos, distensão abdominal, fadiga extrema e febre baixa. Sem tratamento, os sintomas podem durar de alguns dias a mais de um mês, ocorrendo em ciclos de melhora e piora. A mortalidade é considerada praticamente nula.

Diagnóstico e tratamento

O parasita não aparece em exames de fezes de rotina; é necessário solicitar análise específica para Cyclospora, muitas vezes com múltiplas amostras. O tratamento padrão é o antibiótico sulfametoxazol-trimetoprima. Em pacientes alérgicos a sulfa, médicos podem prescrever nitazoxanida ou ciprofloxacino, além de recomendar hidratação reforçada e repouso.

Recomendações de prevenção

Como não há vacina, a prevenção depende de higiene rigorosa na manipulação de alimentos:

  • lavar frutas e verduras em água corrente folha por folha;
  • descartar as camadas externas das hortaliças;
  • preferir vegetais inteiros a versões pré-picadas;
  • cozinhar alimentos quando possível, pois o calor elimina o parasita;
  • evitar água não tratada, sobretudo em viagens a regiões tropicais ou subtropicais.

As investigações do FDA e do CDC prosseguem para mapear outros possíveis lotes contaminados e evitar a ampliação do surto.

Com informações de Gazeta do Povo