O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil “não vacilará” na proteção de sua soberania, em meio à crise diplomática e comercial com os Estados Unidos provocada pelo novo tarifaço anunciado por Washington.
Em publicações nas redes sociais, Lula divulgou a imagem de sua mão sobre a bandeira brasileira, acompanhada da mensagem: “Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”.
Reação do governo
Após reunião no Palácio do Planalto, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ministros concederam coletiva para rebater acusações feitas pelos EUA e anunciar apoio aos setores prejudicados pelas tarifas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro. “A política econômica de um país é feita para os seus cidadãos, não para atender o secretário de Estado de outro país”, declarou, referindo-se à carta enviada por Flávio ao secretário de Estado americano Marco Rubio pedindo a suspensão das tarifas e oferecendo sua equipe de transição caso vença as eleições.
Durigan classificou o tarifaço como “motivado por falsos argumentos” e disse que a medida “fere o senso básico de patriotismo, sobretudo quando a oposição usa isso como muleta eleitoral”.
Troca de acusações
Durante a madrugada, Rubio acusou Lula de colocar “ego acima de um possível acordo”. Em resposta, o chanceler Mauro Vieira considerou a manifestação “grosseira e arrogante” e “ofensiva ao povo e ao governo brasileiros”.
Lula compartilhou a fala de Vieira nas redes e reiterou que Brasília buscou diálogo com Washington. “Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a nossa soberania e os produtores brasileiros”, escreveu o presidente.
Contexto
Desde o primeiro pacote tarifário, em julho de 2025, o governo mantém discurso de defesa da soberania nacional. O Planalto considera recorrer à Lei da Reciprocidade, sancionada este ano, caso as negociações com os Estados Unidos não avancem.
Com informações de Gazeta do Povo