Brasília — Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderão cruzar os braços a partir de 5 de agosto. A decisão será debatida em assembleias nacionais convocadas pela Associação dos Servidores do IBGE (ASSIBGE) para quarta-feira, 15 de julho.
Vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, a autarquia vive uma escalada de tensão entre a categoria e o presidente, Marcio Pochmann, apontado pelo sindicato como “autoritário”. Entre os motivos do descontentamento estão o corte de gratificações pagas aos trabalhadores do Censo e a suspensão da chamada “indenização de campo”, verba destinada a cobrir deslocamentos para aplicação de questionários.
Segundo nota da ASSIBGE, Pochmann se recusa a receber representantes do quadro permanente para discutir o futuro do órgão, o que teria travado negociações e aprofundado uma crise iniciada ainda nos primeiros meses de sua gestão.
Representação no TCU e suspeita de interferência
A turbulência ganhou novos capítulos após a demissão de Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE há vários anos. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) apresentou representação alegando possível tentativa de interferência nos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB).
No documento, o MPTCU alerta que o eventual “descrédito nas estatísticas oficiais — notadamente no cálculo do PIB e nos índices de inflação — possui elevado potencial de causar dano ao erário” e afirma que tal perda de confiança “já deve estar ocorrendo em alguma medida”.
Promessas não cumpridas e criação da Fundação IBGE+
Pochmann assumiu o cargo durante ato no sindicato e prometeu realizar um congresso institucional com servidores, mas a proposta foi substituída pelo projeto “Diálogos IBGE”, criticado pela categoria por alterar o formato previsto para o planejamento estratégico.
O programa abriu caminho para o registro em cartório da Fundação IBGE+, que permitiria aportes privados em estatísticas públicas. Após questionamentos do TCU, o governo recuou e extinguiu o instituto.
A reportagem da Gazeta do Povo procurou o IBGE para comentar a possibilidade de greve e as acusações feitas pelo sindicato. Até o momento, não houve retorno; o espaço segue aberto para manifestação.
Com informações de Gazeta do Povo