O Plano Nacional de Mineração 2050, apresentado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, projeta transformar o Brasil em potência na produção de terras raras. Especialistas, porém, apontam que a estratégia se baseia em estimativas desatualizadas sobre o tamanho das reservas nacionais e enfrenta entraves como licenciamento ambiental demorado, mapeamento geológico insuficiente e insegurança jurídica.
Reservas ainda não comprovadas
O governo cita a existência de 21 milhões de toneladas de terras raras no subsolo brasileiro, número extraído de levantamentos antigos dos Estados Unidos. Em 2026, entretanto, o Serviço Geológico norte-americano reduziu a projeção para 11 milhões de toneladas. A divergência decorre da diferença entre “recurso” — potencial geológico — e “reserva” — volume comprovado e economicamente viável para extração. Hoje, o conhecimento detalhado sobre o subsolo nacional é considerado limitado.
O que são terras raras
O grupo de 17 minerais engloba elementos cruciais para turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, smartphones e equipamentos de defesa. A oferta global é dominada pela China, que controla boa parte da extração e do processamento.
Metas econômicas ambiciosas
O plano governamental pretende elevar a participação da mineração no Produto Interno Bruto de 3,3% para 4,8% até 2050 e criar cerca de 800 mil empregos diretos. A ideia é agregar valor e tecnologia à produção mineral, reduzindo a dependência de exportação de matéria-prima bruta.
Caminho longo até a produção
No setor, o intervalo médio entre a descoberta de um depósito e o início da operação comercial é de aproximadamente dez anos. A demora é ampliada pela morosidade no licenciamento ambiental, pela carência de investimentos em mapeamento detalhado e por disputas judiciais que afetam a segurança regulatória. Muitas áreas com potencial mineral também coincidem com regiões produtivas do agronegócio, demandando negociação entre os dois segmentos.
Produção atual é modesta
Em 2024, o Brasil extraiu apenas 20 toneladas de terras raras, frente a 390 mil toneladas produzidas mundialmente. O principal empreendimento nacional é o projeto Serra Verde, em Minaçu (GO), atualmente em fase de exploração comercial. Analistas avaliam que somente investimentos contínuos em pesquisa e maior clareza regulatória poderão atrair capital estrangeiro para ampliar a produção nas próximas décadas.
Com informações de Gazeta do Povo