A rivalidade entre as duas principais facções do Cartel de Sinaloa – Los Chapitos e La Mayiza – ampliou o front de violência no México ao mirar influenciadores digitais que exibem o estilo de vida do narcotráfico.
Sequestro de Nicole Pardo
Um dos casos mais recentes envolve a mexicana-americana Nicole Pardo, 20 anos, sequestrada por homens armados em Culiacán, reduto histórico do cartel. A jovem possui uma loja de roupas com imagens de Joaquín “El Chapo” Guzmán e vive em área controlada pela La Mayiza. Resgatada com vida, ela apareceu em vídeo, ainda em cativeiro, declarando trabalhar para a facção de Ismael “El Mayo” Zambada, indício de que a ação estaria ligada ao confronto interno.
Ataques a “narcoinfluenciadores”
Desde janeiro, ao menos 25 criadores de conteúdo e músicos foram citados em panfletos lançados por um helicóptero não identificado sobre Culiacán, acusados de colaborar com o crime organizado. Quatro rostos já traziam a palavra “ELIMINADO”, indicando que haviam sido mortos. Segundo a imprensa local, outros nove nomes da lista também foram assassinados nos meses seguintes. Entre os alvos estava o cantor vencedor do Grammy Peso Pluma.
Investigação por lavagem de dinheiro
O influenciador Markitos Toys, 26 anos, conhecido por exibir carros esportivos, roupas de grife e festas, figura entre os investigados pela Unidade de Inteligência Financeira do México. O órgão apura se 64 perfis tiveram números inflados artificialmente para aumentar ganhos online e lavar dinheiro para as facções. Markitos nega quaisquer ligações criminosas.
Raízes do conflito
A escalada de violência teve início após a prisão de Ismael “El Mayo” Zambada nos Estados Unidos, em julho de 2024. O veterano narcotraficante acusou um dos filhos de El Chapo de traição, acirrando a disputa entre a ala comandada pelos herdeiros de Guzmán (Los Chapitos) e o grupo liderado pelo filho de El Mayo (La Mayiza).
Recrutamento nas redes
Autoridades e especialistas alertam que a ostentação divulgada por esses perfis serve também para atrair adolescentes e reforçar a propaganda do cartel, mascarando a origem ilícita dos recursos por trás de carros de luxo, viagens e festas.
A ofensiva contra influenciadores demonstra que a guerra dentro do Cartel de Sinaloa ultrapassou as ruas e chegou ao ambiente digital, onde visibilidade pode significar tanto status quanto risco de morte.
Com informações de Gazeta do Povo