O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para manifestar descontentamento com um documento oficial do Itamaraty que mencionou a hipótese de intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
A avaliação constava de resposta encaminhada à Câmara dos Deputados, atendendo a requerimento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). O parlamentar solicitou esclarecimentos sobre possíveis repercussões da decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Reação imediata de Brasília e de Washington
Antes mesmo da remessa do parecer ao Congresso, o Departamento de Estado dos EUA já havia negado, publicamente, qualquer intenção de enviar tropas ao Brasil. Na quarta-feira (8), a chancelaria norte-americana voltou a descartar a possibilidade, qualificando a suposição de “absurda” e afirmando que suas medidas visam apenas combater grupos narcoterroristas dentro de suas prerrogativas soberanas.
O fato de o tema ter sido formalizado em documento oficial provocou desconforto no Palácio do Planalto e entre integrantes das Forças Armadas. Segundo apuração do portal Poder360, Lula considerou que o texto extrapolou as atribuições do Ministério das Relações Exteriores.
Convocação no Congresso e mal-estar diplomático
O episódio levou as Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado a convocarem Mauro Vieira para prestar esclarecimentos. Parlamentares querem saber quais bases técnicas e diplomáticas sustentaram a análise enviada pelo Itamaraty.
Dentro da diplomacia brasileira, defensores do parecer afirmam que ele resulta de um “cálculo de risco” — metodologia usada para examinar cenários improváveis, mas não totalmente descartados. Citam como precedentes recentes operações militares dos EUA no oceano Pacífico, no mar do Caribe e a hipótese, debatida no passado, de intervenção na Venezuela.
De acordo com essa corrente, a eventual classificação do PCC e do CV como organizações terroristas poderia, em tese, permitir uma ação militar autorizada diretamente pelo presidente norte-americano, então Donald Trump, sem aval do Congresso dos EUA. Washington, entretanto, reiterou oficialmente que não há qualquer plano de intervenção militar no Brasil.
A polêmica também gerou incômodo entre diplomatas brasileiros e representantes da Embaixada dos Estados Unidos, que agora atuam para conter impactos na relação bilateral.
Com informações de Direita Online