Um trabalhador brasileiro que recebe o salário mínimo precisaria acumular mais de três anos de renda integral para comprar um ingresso premium — estimado em US$ 10 mil — para a final da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos. O cálculo consta de levantamento do Instituto Millenium, divulgado nesta terça-feira (9).
Com o salário mínimo nacional equivalendo a cerca de US$ 270 mensais, seria necessário juntar 37 salários completos para alcançar o valor do bilhete. A distância contrasta com a realidade de países desenvolvidos: na Alemanha, onde o piso é de US$ 2.350, o mesmo ingresso exigiria quatro meses de trabalho; na França, com salário mínimo de US$ 1.950, bastariam cinco meses.
Comparação internacional
No México, trabalhador que recebe o mínimo (US$ 420) teria de reservar dois anos de rendimentos — 24 salários — para assistir à decisão. Já nos Estados Unidos, onde o piso federal é de US$ 1.257, o ingresso poderia ser adquirido após oito meses.
Produtividade em pauta
Ricardo Gomes, CEO do Instituto Millenium, afirma que a diferença no poder de compra está ligada à produtividade. “Países como a Alemanha pagam salários mais altos porque produzem mais por hora trabalhada, utilizam mais capital, tecnologia e conhecimento”, disse. Para o executivo, elevar o salário mínimo por decreto “é simples”, mas sem ganhos de eficiência tende a gerar inflação ou desemprego.
Especialista em economia do trabalho, o professor do Ibmec Claudio Shikida reforça que o aumento da produtividade possibilita reajustes salariais sem pressionar os preços. Ele avalia que o Brasil tem feito pouco para melhorar o ambiente de negócios e a qualidade da educação básica, o que penaliza principalmente a população de menor renda.
Gomes argumenta ainda que propostas que reduzam a carga horária, como o fim da jornada 6×1, podem diminuir o valor gerado por trabalhador se não houver contrapartida em produtividade. Entre as medidas defendidas pelo instituto para reverter o cenário estão melhor qualificação profissional, segurança jurídica, modernização das leis trabalhistas, maior abertura econômica e incentivos à inovação.
Para adquirir um ingresso premium da final da Copa de 2026, o desafio financeiro varia de alguns meses a vários anos de trabalho, dependendo do país — um retrato da discrepância de produtividade e renda entre economias desenvolvidas e emergentes.
Com informações de Gazeta do Povo