O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, que o governo do presidente Donald Trump abriu o procedimento formal para revogar a designação da Síria como Estado patrocinador do terrorismo.
Em comunicado assinado pelo secretário Marco Rubio, a pasta notificou o Congresso sobre a medida e estabeleceu um período de pré-notificação de 45 dias antes da efetivação da retirada.
“Este é mais um passo histórico do presidente Trump para dar ao povo sírio a oportunidade de alcançar a grandeza”, destacou o texto divulgado em Washington.
Aproximação com novo governo sírio
A decisão ocorre em meio ao estreitamento de laços entre Trump e Ahmed al-Sharaa, líder dos rebeldes que, no fim de 2024, derrubaram o regime de Bashar al-Assad após a guerra civil iniciada em 2011. Al-Sharaa, que já teve ligações com Al-Qaeda e Estado Islâmico, foi recebido pelo presidente norte-americano na Casa Branca em novembro passado e voltou a se encontrar com ele nesta semana, à margem da cúpula da Otan realizada na Turquia.
Em junho de 2025, uma ordem executiva assinada por Trump já havia aliviado sanções impostas a Damasco. Segundo o Departamento de Estado, o levantamento das restrições “destravará o comércio e os investimentos internacionais, dará à Síria a chance de se reconstruir e abrirá um novo capítulo para o povo sírio”.
Preocupação israelense
A reaproximação entre Washington e o novo governo sírio gera apreensão em Israel, principal aliado dos EUA no Oriente Médio. Em 30 de junho, durante evento em Jerusalém, o ministro israelense de Assuntos da Diáspora, Amichai Chikli, afirmou que a Turquia de Recep Tayyip Erdogan e a Síria de al-Sharaa representam atualmente um desafio maior do que o Irã. Ele classificou os dois países, juntamente com o Catar, como parte de “um novo eixo da Irmandade Muçulmana”.
O governo norte-americano ainda precisa aguardar o término do período de 45 dias para concluir a retirada da Síria da lista, que desde 1979 reúne nações acusadas de apoiar ou financiar grupos terroristas.
Com informações de Gazeta do Povo