Rio de Janeiro — A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (9) a Operação Emendatio para investigar um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, que teria indicado parte dos recursos enquanto ocupava uma cadeira na Câmara dos Deputados, de 2019 a 2025.
Os agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão na capital fluminense. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
Ex-assessor de Domingos Brazão na mira
A PF aponta o envolvimento de um ex-assessor de Domingos Brazão — irmão de Chiquinho e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) —, identificado como ex-policial. Ambos os irmãos estão condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 76 anos de prisão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018. Chiquinho cumpre a pena em regime domiciliar por motivos de saúde, enquanto Domingos permanece no Complexo de Gericinó.
Como funcionava o esquema segundo a PF
De acordo com a corporação, parte das verbas encaminhadas a entidades sem fins lucrativos era desviada por meio de pagamentos indevidos, empresas de fachada e manobras para ocultar a origem e o destino do dinheiro. As investigações apontam ainda uso de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, indícios de superfaturamento de contratos, conluio entre empresas nas cotações de preços e, em alguns casos, inexecução dos serviços contratados.
Os fatos apurados podem configurar os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sem prejuízo de outras infrações que venham a ser identificadas.
Próximos passos
A PF informou que a operação busca colher novas provas, identificar outros envolvidos, aprofundar a análise financeira e patrimonial dos suspeitos e promover a recuperação de ativos.
Até o momento, os nomes dos demais investigados não foram divulgados.
Com informações de Gazeta do Povo