Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “cortina de fumaça” a ação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira (8), na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o parlamentar, a medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pretende ofuscar sua atuação em Washington, onde discute tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Flávio está na capital norte-americana desde segunda-feira (6). Lá, participou de audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o tarifaço de 25% anunciado pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros. “É tentativa clara de dividir o noticiário com coisas negativas enquanto estou aqui trabalhando pelo Brasil”, disse o senador em transmissão pela internet.
Mandado buscava armas não entregues
O mandado expedido por Moraes teve como objetivo localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro que, segundo o STF, não foram apresentados às autoridades conforme determinação anterior. O ministro apontou divergência entre o número de armas registradas em nome do ex-presidente e aquelas efetivamente entregues.
Inicialmente, a decisão citava 11 armas – pistolas, carabinas e espingardas. A defesa de Jair Bolsonaro contesta a contagem e diz que o arsenal compreende dez itens. De acordo com os advogados, duas armas estão sob custódia da Polícia Federal, oito permanecem no Batalhão de Polícia do Exército e uma pistola Glock já havia sido apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal.
A equipe jurídica informou ainda que uma espingarda está em manutenção em empresa de armamentos em Caxias do Sul (RS). As explicações foram encaminhadas ao STF e à Procuradoria-Geral da República, que analisam o caso. Moraes também revogou o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente.
Críticas a suposta interferência eleitoral
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro afirmou que a operação reforça, em sua avaliação, o desconforto do “sistema” com sua atuação política. O senador alegou haver tentativas de “interferência nas eleições” em estados como Rio de Janeiro e Roraima, onde aliados do PL pretendem disputar cargos em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo