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Suspensão de punição a Balogun vira impasse esportivo-político após ligação de Trump

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A Federação Internacional de Futebol (Fifa) decidiu na segunda-feira (6) suspender o cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano Folarin Balogun, medida que liberou o artilheiro para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo. A revogação, tomada depois de um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente da entidade, Gianni Infantino, desencadeou críticas de organismos esportivos, governos e dirigentes europeus.

Repercussão imediata

Em nota, a UEFA classificou o ato como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”, afirmando que decisões assim colocam em xeque a integridade das competições. A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) tentou recorrer, mas a Fifa rejeitou a petição alegando falta de legitimidade da entidade belga no processo disciplinar.

Do lado político, o comissário europeu para assuntos de esporte, Glenn Micallef, declarou que “as decisões do esporte pertencem às instituições esportivas, não aos políticos”.

Casa Branca em campo

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendeu a reversão, dizendo que a jogada “deveria ser analisada em velocidade normal” e não em câmera lenta. Embora admita não ser especialista em futebol, Rubio alegou que especialistas concordariam que Balogun “não sabia onde pisava” no lance que resultou na expulsão.

Trump confirmou ter pedido a Infantino uma revisão da punição, mas negou ter determinado o cancelamento do cartão. A Fifa sustenta que a decisão partiu de seu Comitê Disciplinar, que usou o artigo 27 do Código Disciplinar para suspender a sanção. O jogador, contudo, permanece em “regime de liberdade condicional” e recebeu multa de US$ 40 mil.

Acusações contra o árbitro

O árbitro brasileiro Raphael Claus, que expulsou Balogun na vitória dos EUA sobre a Bósnia-Herzegovina na quarta-feira, tornou-se alvo de um dossiê compilado por aliados de Trump, segundo o The New York Times. O documento citava, sem provas, suposto envolvimento de Claus em manipulação de resultados no Brasil — investigação que não encontrou respaldo nas autoridades brasileiras nem na própria Fifa.

Operação de bastidores

Reportagem do The Athletic aponta que a Casa Branca montou uma ofensiva jurídica e política para defender o atacante, mobilizando o secretário de Comércio Howard Lutnick, o investidor e doador da federação norte-americana Scott Goodwin e o diretor da força-tarefa da Copa, Andrew Giuliani. Goodwin também teria ajudado a federação dos EUA a captar recursos para bancar o técnico Mauricio Pochettino.

Amizade entre Trump e Infantino

A proximidade entre Trump e Infantino já rendeu gestos públicos. A Fifa criou o Prêmio da Paz para condecorar o presidente norte-americano por iniciativas de mediação internacional após ele não receber o Nobel da Paz, reforçando laços que agora voltam ao centro do debate em meio à controvérsia sobre Balogun.

Com o atacante liberado, Estados Unidos e Bélgica se enfrentam ainda nesta segunda-feira, enquanto a discussão sobre interferência política no futebol promete se estender além das quatro linhas.

Com informações de Gazeta do Povo