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Burocracia e impostos fazem 60% das empresas brasileiras encerrarem atividades antes de cinco anos

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Seis em cada dez empresas brasileiras deixam de operar antes de completar o quinto ano de vida, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de mortalidade expõe um ambiente de negócios marcado por burocracia, carga tributária elevada, insegurança jurídica e alto custo do crédito.

Tempo gasto com regras sufoca expansão

Para o especialista em Direito Civil e Negociação Vanderlei Garcia Jr., o empreendedor dedica boa parte dos recursos a exigências regulatórias que mudam constantemente. “Em muitos casos, a energia que deveria estar na expansão do negócio vai para manter a empresa em conformidade com um sistema altamente complexo”, afirma.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que, entre 1988 e 2024, o país editou mais de 7,8 milhões de normas — 517 mil apenas na área tributária —, média de mais de duas novas regras fiscais a cada hora útil.

Essa complexidade se traduz em custos invisíveis. “O risco de recolher menos imposto é muito maior que o de pagar a mais, por isso muitas companhias acabam optando pelo excesso e mantêm um ‘silêncio arrecadatório’ que prejudica o empreendedor”, explica Luís Garcia, administrador pela FGV, sócio do Tax Group e advogado tributarista.

Enquanto empresas de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) gastam cerca de 200 horas anuais com obrigações fiscais, no Brasil esse número supera 1.500 horas, de acordo com estudo do Banco Mundial divulgado em 2021.

Pressão financeira e emocional

Além do peso no caixa, a incerteza regulatória cobra um preço psicológico. “Empreender no Brasil exige resiliência em meio a uma insegurança compartilhada por grande parte do setor produtivo”, diz Vanderlei Garcia Jr.

Mesmo assim, vontade de abrir negócio cresce

O Relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025 mostra que ter um negócio próprio é o segundo maior sonho dos brasileiros, citado por 39,7% dos entrevistados — em 2024, eram 34,3%, terceira posição. A percepção de oportunidade atinge 64,7% e 51,3% afirmam não ter medo de fracassar.

A porta de entrada costuma ser o Microempreendedor Individual (MEI). Pesquisa Panorama Econômico Trimestral dos Pequenos Negócios, divulgada em janeiro de 2026, indica que os MEIs concentraram a maior parte dos fechamentos de empresas em 2025. “O MEI ajuda a avaliar se o empreendedor tem perfil adequado”, comenta Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.

Pequenos negócios dominam o cenário

Em 2025, o país registrou 5,1 milhões de novas empresas, das quais 4,9 milhões são pequenos negócios; 74% delas enquadram-se como MEI. As micro e pequenas companhias representam 95% do total de empreendimentos, respondem por 26,5% do PIB nacional, geram metade dos empregos formais e distribuem cerca de 40% da massa salarial — equivalente a R$ 51,5 bilhões, segundo o Sebrae.

Planejamento diferencia quem sobrevive

Rodrigo Soares destaca que as empresas que vencem o “custo Brasil” realizam pesquisas de mercado, calculam com precisão o capital de giro e acompanham diariamente os custos. “A sobrevivência de longo prazo depende também da digitalização de processos e da capacidade de ajustar o portfólio conforme o consumidor muda”, observa.

Para Luís Garcia, enfrentar o cenário atual é “um exercício de coragem”. “O paradoxo é claro: temos enorme potencial econômico, mas acumulamos obstáculos que impedem quem produz de crescer e gerar empregos”, conclui.

Com informações de Gazeta do Povo