Arqueólogos e químicos da Universidade de York localizaram indícios do raro corante conhecido como púrpura de Tiro em túmulos romanos datados de aproximadamente 1.700 anos, escavados na cidade de York, norte da Inglaterra.
Luxo funerário infantil
Segundo a equipe, o pigmento estava presente em envoltórios que recobriam corpos de bebês. A ocorrência sugere que famílias locais utilizaram um dos materiais mais caros da Antiguidade para homenagear os recém-nascidos, evidenciando tanto status quanto apego afetivo.
O que é a púrpura de Tiro
Obtido a partir de moluscos do gênero Murex, o corante exigia milhares de conchas e um processo demorado de extração. Graças à resistência à luz e à dificuldade de falsificação, tornou-se símbolo de poder, chegando a valer até três vezes mais que o ouro em determinados períodos.
Referências bíblicas
A púrpura aparece em textos sagrados judeu-cristãos, como o relato de Lídia, comerciante de tecidos no livro de Atos, e o episódio em que soldados romanos vestem Jesus com um manto desse tom, narrado no Evangelho de Marcos.
Metodologia de detecção
Os caixões eram cobertos com gesso líquido logo após o sepultamento. Quando endureceu, esse material formou uma camada protetora que preservou fragmentos de tecido e resíduos químicos. A confirmação do pigmento veio por meio da espectrometria de massa, técnica capaz de identificar moléculas remanescentes.
Alcance comercial do Império Romano
York ficava a milhares de quilômetros do Mediterrâneo, zona produtora do corante. A presença do pigmento em uma província tão distante demonstra a eficiência das rotas comerciais romanas para distribuir artigos de luxo à elite espalhada pelo império.
Para os pesquisadores, o achado acrescenta dados sobre práticas funerárias e relações de afeto no período, ao mesmo tempo em que reforça a importância econômica da púrpura de Tiro na sociedade antiga.
Com informações de Gazeta do Povo