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Corante púrpura citado na Bíblia é identificado em sepulturas de bebês em York

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Arqueólogos e químicos da Universidade de York, no Reino Unido, detectaram vestígios da púrpura de Tiro – corante mais caro da Antiguidade e mencionado na Bíblia – em dois túmulos romanos datados de cerca de 1.700 anos, localizados na própria cidade de York.

Fragmentos preservados em gesso

O material foi encontrado em caixões de um bebê envolto em sarcófago de pedra e de outro acomodado em urna de chumbo. Durante o ritual funerário, os corpos haviam sido cobertos com gesso líquido; ao endurecer, o material formou uma cápsula que conservou minúsculos pedaços de tecido e resíduos do pigmento roxo.

Análise química inédita

A confirmação do corante ficou a cargo do Centro de Excelência em Espectrometria de Massa da universidade, conduzido pelas pesquisadoras Jackie Mosely e Jennifer Wakefield. A investigação integra o projeto multidisciplinar Seeing the Dead, coordenado pela professora Maureen Carroll, do Departamento de Arqueologia.

“Pela primeira vez comprovamos o uso desse corante caríssimo na York romana, sinalizando que habitantes abastados tinham acesso a produtos de luxo vindos de regiões distantes do império”, declarou Carroll em entrevista à CNN.

Luxo reservado a poucos

Produzida a partir de moluscos do gênero Murex, a púrpura de Tiro exigia grandes quantidades de matéria-prima para se obter pequenas porções do pigmento, chegando a custar até três vezes mais que o ouro. Por sua raridade, era símbolo de poder e status, sendo citada em passagens bíblicas como Atos 16:14 e Marcos 15:17.

Indícios de afeto familiar

A presença do corante, junto a fios de ouro, em enterros infantis indica que as famílias investiram recursos significativos para homenagear os recém-nascidos. Para os pesquisadores, o achado sugere redes comerciais abrangentes e fornece pistas sobre práticas funerárias e vínculos afetivos na província romana do norte da Inglaterra entre o final do século III e o início do século IV d.C.

Os caixões integram o acervo do York Museums Trust e continuam em estudo para revelar mais detalhes sobre o cotidiano e as rotas de luxo do período romano britânico.

Com informações de Gazeta do Povo