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ONG denuncia foco do governo Maduro em controle militar após terremotos na Venezuela

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Caracas – O Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) afirmou nesta quarta-feira (1º) que o governo de Nicolás Maduro direciona esforços principalmente ao controle militar e policial das zonas devastadas pelos terremotos de 24 de junho, em vez de concentrar o atendimento direto às vítimas.

Segundo a ONG, a constatação ocorreu durante a segunda visita de seus integrantes ao estado de La Guaira, um dos mais atingidos pelos abalos sísmicos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados há uma semana. A entidade relatou ausência de iniciativas estatais capazes de garantir água potável e alimentação à população afetada.

“Não observamos nenhum esforço ou iniciativa estatal para prover serviços essenciais”, publicou o Provea na rede X. De acordo com a organização, agências da ONU, entidades humanitárias e voluntários locais são os principais responsáveis por levar donativos dos centros de arrecadação às famílias atingidas.

O balanço oficial divulgado nesta quarta pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, contabiliza 2.295 mortos, 11.267 feridos e 12.841 desabrigados. Rodríguez informou que equipes de emergência continuam trabalhando nos escombros e que mais de 17 mil pessoas já foram atendidas em hospitais, centros de triagem e postos sanitários improvisados.

Para o Provea, o envio massivo de forças de segurança sem coordenação adequada com organismos humanitários provoca sobreposição de funções e até bloqueia a circulação de ambulâncias, profissionais de saúde e equipes de resgate. A ONG também relatou a presença de agentes do serviço de inteligência, cuja atuação, segundo a entidade, não tem competência legal em gestão de riscos e pode gerar violações de direitos humanos.

A crítica reforça relatos de moradores e jornalistas sobre dificuldades de resgate e tensões com militares em La Guaira. Após as denúncias, o governo venezuelano suspendeu por 48 horas o transporte de profissionais de imprensa em ônibus para a zona mais destruída, alegando recomendação sanitária. A medida foi condenada pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa, que defende acesso imediato a informações verificadas para as famílias das vítimas.

Com informações de Gazeta do Povo