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Estudo aponta defasagem científica em livros da rede pública; Carlos Bolsonaro incentiva compartilhamento

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Brasília – Um levantamento da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA USP), em parceria com a associação De Olho no Material Escolar, constatou que apenas 4% dos conteúdos de livros didáticos usados na rede pública exibem base científica comprovada e fontes verificáveis.

O relatório, divulgado nesta semana, ganhou projeção após o vereador carioca e pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) compartilhar o material em seu canal no Telegram e solicitar que seus seguidores o repliquem.

Foco no agronegócio

A pesquisa analisou especialmente a forma como o agronegócio é apresentado aos estudantes. Dos livros avaliados, 40% trazem algum tipo de abordagem sobre o setor. Segundo os autores, a ausência de critérios científicos consistentes abre espaço para interpretações consideradas distantes de dados técnicos sobre produtividade e sustentabilidade no campo, apontado como um dos pilares da economia nacional.

Orçamento bilionário do PNLD

O relatório também coloca em discussão o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), responsável por compras anuais de cerca de R$ 2 bilhões, valor que faz da iniciativa uma das maiores aquisições públicas de material pedagógico no mundo.

Motivação pessoal

Letícia Jacinto, presidente da associação De Olho no Material Escolar, relatou que a decisão de avaliar o conteúdo partiu de um episódio envolvendo sua filha de nove anos. Em sala de aula, a criança teria sido orientada a empregar termos como “genocídio”, “destruição de cultura” e “suicídio” ao descrever produtores rurais.

Desconexão entre campo e cidade

De acordo com a entidade, muitos autores de livros didáticos estão concentrados em áreas urbanas, o que poderia contribuir para narrativas alheias à realidade do agronegócio. Para os pesquisadores, essa distância entre produção acadêmica, experiência prática e sala de aula influencia diretamente a compreensão de temas econômicos e ambientais pelos alunos da rede pública.

O relatório conclui que a revisão dos critérios de seleção dos livros e a ampliação de fontes científicas seriam passos essenciais para aprimorar o ensino oferecido nas escolas brasileiras.

Com informações de Direita Online