O padre Youhanna Al-Amin, responsável pela Paróquia de São Vicente de Kauda, nas Montanhas Nuba, foi assassinado em 19 de junho junto com um vigia da igreja e outra pessoa, depois de relatar o roubo de medicamentos que seriam distribuídos à população local.
A morte ocorreu em meio ao avanço de disputas tribais e confrontos entre facções armadas na região controlada pelo Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLM-N). Segundo relatos divulgados pela organização Aid to the Church in Need (ACN) em 20 de junho, o ataque teria sido um ato de retaliação contra a denúncia feita pelo sacerdote.
Pedido de proteção para civis
Em nota publicada em 25 de junho, o fundador da entidade britânica Christian Solidarity Worldwide (CSW), Mervyn Thomas, condenou o crime e cobrou “medidas concretas” das autoridades locais para reduzir a violência e garantir a segurança dos moradores das Montanhas Nuba. Thomas também apelou à comunidade internacional para intensificar esforços que ponham fim ao conflito no Sudão.
Três décadas de serviço pastoral
Al-Amin dedicou quase 30 anos ao trabalho pastoral na Diocese Católica de El Obeid. A Paróquia de São Pedro de Babnusa, onde atuou de 1997 a 2021, destacou que o sacerdote era “amigo dos jovens e das crianças” e permaneceu com a comunidade mesmo com a piora das condições humanitárias.
Contexto de tensão étnica e escassez
De acordo com a CSW, o SPLM-N demarcou terras entre as tribos Otoro e Shawaya há cerca de três meses, desencadeando ataques a vilarejos. O clima de hostilidade se estendeu à tribo Kawaleeb, à qual pertence o comandante rebelde Izzat Koko. A organização aponta ainda a falta de alimentos e remédios entre combatentes Otoro como possível motivação adicional para o atentado contra o padre, já que tanto Otoro quanto Kawaleeb são majoritariamente cristãs.
Culto sob ameaça
Igrejas funcionam como abrigos desde o início do conflito sudanês e têm sido alvo frequente de ataques, usados inclusive para fins militares por diferentes grupos. “Investidas contra locais de culto são especialmente alarmantes em uma região reconhecida pela convivência pacífica entre comunidades religiosas e étnicas”, afirmou Thomas.
As Montanhas Nuba concentram grande parte dos cristãos sudaneses e continuam a registrar episódios de violência que forçaram religiosos a deixar a área. Al-Amin optou por permanecer, coordenando não apenas atividades pastorais, mas também a oferta de assistência médica aos mais vulneráveis — uma missão interrompida pelo assassinato.
Com informações de Gazeta do Povo