Brasília – 30/06/2026. Menos de dois meses após ter o primeiro pedido rejeitado, o governo brasileiro protocolou um novo requerimento de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) junto à Corte de Apelação de Roma, que julga o caso nesta quarta-feira (1º). Especialistas ouvidos veem a iniciativa como medida de impacto político em ano pré-eleitoral, com chances reduzidas de êxito jurídico.
Pressa após derrota na Suprema Corte italiana
Em maio, a Suprema Corte de Cassação da Itália recusou a extradição alegando que, no processo original, o ministro Alexandre de Moraes somou os papéis de vítima, investigador e julgador, ferindo garantias de um julgamento imparcial. A negativa foi considerada constrangedora para o Planalto e para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o advogado André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão, a reapresentação tão rápida do pedido mostra “reação para não se curvar à decisão anterior” e atende ao calendário eleitoral da pré-campanha petista. A estratégia, afirma, repete o padrão do governo de contestar derrotas com novos recursos para sinalizar força política.
Novo fundamento, novos riscos
Desta vez, o pedido de extradição baseia-se no processo em que Zambelli foi condenada por posse ilegal de arma, relatado pelo ministro Gilmar Mendes. A mudança elimina formalmente o questionamento sobre a atuação de Moraes, mas não afasta outras possibilidades de impugnação previstas no tratado Brasil-Itália, como violação de direitos fundamentais ou condições do sistema prisional brasileiro.
“O governo tenta blindar Moraes do desgaste sofrido, mas a Justiça italiana já sinalizou que considera Zambelli uma perseguida política”, avalia Marsiglia, que vê baixa probabilidade de resultado diferente.
Etapa política em Roma pode travar extradição
Mesmo que a Corte de Apelação aprove o envio da ex-parlamentar, o despacho final cabe ao Executivo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que analisa o impacto diplomático da medida. Critérios de conveniência política podem manter Zambelli na Itália, segundo o professor de Direito Internacional Pablo Sukiennik.
Efeito cascata sobre outros investigados
Uma nova recusa italiana fortaleceria a defesa de brasileiros que respondem a processos semelhantes fora do país, como Eduardo Tagliaferro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro. Caso a Justiça europeia confirme pela segunda vez que o STF não garante julgamento justo, oposicionistas pretendem usar o precedente em disputas judiciais e na campanha eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo