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Virada conservadora no Mercosul e demora na ajuda à Venezuela isolam Lula na cúpula de Assunção

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Assunção nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, para participar da cúpula do Mercosul sob um cenário regional pouco favorável. A consolidação de governos de direita em países vizinhos e críticas à resposta brasileira aos terremotos que devastaram a Venezuela colocam o Planalto em posição de isolamento dentro do bloco.

Mapa político invertido

No começo de 2023, quando Lula iniciou o mandato, a maioria dos governos sul-americanos era classificada como progressista. Três anos depois, Argentina, Chile, Equador e Peru elegeram presidentes conservadores, reduzindo o espaço para pautas defendidas pelo governo brasileiro, como integração política, meio ambiente e direitos humanos. Como o Mercosul decide por consenso, a falta de alinhamento ideológico obriga Brasília a priorizar negociações pontuais em infraestrutura e segurança.

Teste de liderança na tragédia venezuelana

A demora no envio de auxílio à Venezuela, abalada por uma série de terremotos, tornou-se o principal termômetro do peso diplomático brasileiro. Até agora, o Brasil encaminhou três voos com 71 bombeiros, um hospital de campanha da Marinha com 48 militares, purificadores de água e cerca de 111 mil medicamentos. A estrutura, considerada modesta, é comparada aos US$ 150 milhões e às seis aeronaves de carga despachadas pelos Estados Unidos, além do expressivo contingente de socorristas mobilizado por El Salvador e Argentina.

Novo perfil de interlocutores

Entre os chefes de Estado que Lula encontrará está o argentino Javier Milei, que vem evitando reuniões formais com o brasileiro e tem mantido contato próximo com lideranças da oposição no Brasil, como o senador Flávio Bolsonaro. O distanciamento dificulta articulações conjuntas e reforça o status do Mercosul como foro estritamente comercial, afastando-se do projeto de integração política buscado pelo PT.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, sem convergência ideológica, o Brasil tende a concentrar esforços em acordos bilaterais e a perder protagonismo nas discussões regionais de longo prazo.

Com informações de Gazeta do Povo