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María Corina acusa governo Maduro de fechar espaço aéreo para impedir seu retorno em meio a crise sísmica

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CARACAS — A líder opositora venezuelana María Corina Machado afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira (29), que o governo de Nicolás Maduro suspendeu o tráfego aéreo comercial no país para dificultar sua volta após os terremotos que abalaram a Venezuela na última quarta-feira (24).

De acordo com a opositora, que se encontra na Cidade do Panamá, a viagem tornou-se “inadiável” depois dos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que deixaram mais de 1,7 mil mortos, milhares de feridos e cerca de 15 mil desabrigados, principalmente no litoral norte.

Bloqueio aéreo e ameaça a voluntários

“O regime fechou o espaço aéreo do nosso país para tentar me impedir de voltar”, declarou María Corina, alegando que também houve cancelamento de voos de companhias aéreas durante a emergência. Segundo ela, a restrição foi posteriormente revertida, mas pessoas que se ofereceram para auxiliá-la teriam sido ameaçadas.

Machado acusou o chavismo de tentar barrar não só sua entrada, mas o trabalho de voluntários que distribuem alimentos e medicamentos, equipes internacionais de resgate e jornalistas que buscam informações sobre a tragédia. “A ocultação e a manipulação de dados em momentos como este produzem ainda mais vítimas”, afirmou.

Prioridade é “salvar vidas”

Em entrevistas recentes, entre elas à rede Fox News, a líder da oposição disse considerar seu “dever” estar ao lado da população venezuelana. “Estou disposta a falar com quem for preciso para coordenar e servir o nosso povo”, garantiu.

Reticência dos Estados Unidos

Reportagem do The New York Times relata que autoridades norte-americanas demonstraram frustração com pedidos de María Corina para agilizar sua volta neste momento. Fontes da Casa Branca teriam classificado a iniciativa como “inoportuna” e, segundo uma delas, “manobra política”. Washington apoia o retorno da opositora, mas prefere adiá-lo por questões de segurança e para não atrapalhar a resposta humanitária.

Controle militar e restrição à imprensa

Entre as áreas mais atingidas está La Guaira, declarada zona de desastre e colocada sob controle militar. Nesta segunda, o governo venezuelano suspendeu por 48 horas o transporte de jornalistas em ônibus para a região, alegando “recomendação sanitária” e necessidade de silêncio durante as operações de resgate. O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa criticou a medida, afirmando que o país precisa de “informação verificada e oportuna”.

Apesar das barreiras, María Corina Machado reiterou que pretende regressar ao país e ajudar na coordenação dos esforços de socorro e na reconstrução das áreas afetadas.

Com informações de Gazeta do Povo