O Partido Liberal (PL) pretende escolher uma mulher para a vice-presidência na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições de 2026. A decisão é vista pela sigla como principal aposta para reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o eleitorado feminino.
Levantamento Genial/Quaest divulgado em junho aponta Lula com 41% das intenções de voto entre mulheres, contra 24% de Flávio. Outros 13% das entrevistadas declararam indecisão, fatia considerada estratégica pela cúpula do PL.
A preocupação com esse segmento antecede o atrito público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, tida como grande ativo do partido junto a mulheres conservadoras. Desde então, o senador passou a defender em eventos a presença feminina em postos de comando e reiterou que sua vice será uma mulher “preparada, de bem e interessada”.
Nomeações internas e cotadas para a vice
Na estrutura da pré-campanha, Flávio convidou a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques para ajudar na formulação do programa econômico, apresentando-a como exemplo de liderança conservadora.
Para o posto de vice, circulam na legenda os nomes das deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF) e da vereadora Priscila Costa (PL-CE). Fora do PL, ganham força as parlamentares do Progressistas: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada Simone Marquetto (PP-SP).
Zanatta é elogiada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e concentra apoio da militância mais ideológica; Kicis, pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, foi citada por Flávio em vídeo divulgado nas redes; Priscila Costa, ligada ao eleitorado evangélico, poderia ampliar a presença da chapa no Nordeste, onde Lula soma 54% das intenções de voto contra 25% do senador, segundo a mesma pesquisa.
Entre os nomes externos, Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, é vista como ponte com o agronegócio e com o Centrão. Já Simone Marquetto, vinculada ao movimento carismático católico, poderia atrair votos desse segmento religioso.
Negociações e prazo para anúncio
A escolha final dependerá de tratativas com legendas como PP, União Brasil e Republicanos, além do aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. A campanha pretende oficializar a composição durante a convenção do PL, prevista para o fim de julho.
Análises sobre o impacto
Especialistas ouvidos pela reportagem ponderam que a indicação feminina, isoladamente, pode não ser suficiente para alterar o quadro entre as eleitoras. Para o cientista político Elias Tavares, o gesto amplia a percepção de representatividade, mas o efeito depende “do discurso e da credibilidade ao longo da campanha”. A analista política Yolanda Tolentino acrescenta que a medida “cria um gancho de comunicação”, mas o retorno maior viria de uma aliança com partidos de centro.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores presencialmente entre 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança, e está registrada no TSE sob o código BR-07661/2026.
O anúncio da vice deve ocorrer até o fim de julho, mantendo a escolha de uma mulher como peça-chave da estratégia do PL para disputar o voto feminino em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo