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Correios acumulam prejuízo de R$ 3,16 bi no 1º trimestre e podem encerrar 2026 no pior déficit da história

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Brasília — A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos iniciou 2026 com resultado negativo de R$ 3,16 bilhões entre janeiro e março, valor quase duas vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho pressiona as contas da estatal e reforça projeções de novo rombo recorde até o fim do ano.

Situação financeira agrava-se após lucros em 2021

Depois de exibir lucro em 2021, os Correios voltaram a operar no vermelho. Em 2025, o déficit fechou em R$ 8,5 bilhões, o maior já apurado pela companhia. A tendência de crescimento das perdas se mantém, indicando que as medidas adotadas pelo governo federal e pela gestão da empresa não têm sido suficientes para reverter o cenário.

Medidas emergenciais não atacam causas estruturais

O plano de recuperação, centrado no corte de despesas imediatas, inclui fechamento de agências e programas de demissão voluntária. Entretanto, a adesão dos funcionários ficou abaixo do previsto e os gastos administrativos continuam subindo devido a reajustes salariais, inflação e pagamento de dívidas judiciais.

Concorrência privada avança sobre mercado de encomendas

Enquanto aposta na redução de custos, a estatal perde participação para empresas de comércio eletrônico que investem em automação e centros de distribuição de alta tecnologia. Mercado Livre e Amazon, por exemplo, oferecem prazos de entrega mais curtos, ampliando a pressão sobre o serviço público de correspondências.

Endividamento conta com garantia da União

Para manter as operações, os Correios recorrem a empréstimos respaldados pela União. Na prática, o Tesouro Nacional funciona como fiador: caso a estatal não honre a dívida, o governo precisará quitar o valor, transferindo o risco para o contribuinte.

Cenário eleitoral adia decisões estruturais

Com eleições presidenciais marcadas para 2026, analistas avaliam que o Palácio do Planalto prefere adotar soluções de curto prazo e evitar medidas impopulares. Após o pleito, independentemente do vencedor, especialistas consideram inevitável uma reestruturação mais profunda, que pode incluir capitalização direta ou debates sobre o modelo de gestão da companhia.

Até lá, o saldo negativo do primeiro trimestre aponta para um exercício desafiador e mantém a possibilidade de novo socorro financeiro à estatal.

Com informações de Gazeta do Povo