O número oficial de vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana chegou a 1.430, enquanto famílias reportam pelo menos 68.900 desaparecidos, informou no sábado (data local) Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez.
As buscas prosseguem além do período crítico de 72 horas, encerrado no mesmo dia, em meio a críticas sobre a lentidão da resposta oficial. Organizações humanitárias lembram que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para encontrar sobreviventes.
Danos generalizados
Estimativas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas, incluindo cerca de 2 milhões na capital, Caracas. Imagens de satélite analisadas pela agência mostram que 31% dos edifícios de Catia La Mar, no estado de La Guaira, sofreram danos. A região costeira foi a mais atingida, com cerca de 125 prédios totalmente colapsados, segundo o coordenador da ONU no país, Gianluca Rampolla.
Resgates sob pressão
Equipes de socorristas e moradores vasculham escombros com pás, cordas e até as próprias mãos. A falta de capacetes apropriados levou muitos voluntários a usar capacetes de motocicleta. Corpos têm sido levados em caminhões brancos a um hospital local para identificação.
Relatos da Associated Press indicam que autoridades priorizaram registros fotográficos em frente a prédios destruídos antes de deixar os locais sem prestar auxílio. Em um dos incidentes, populares impediram a saída de uma escavadeira, retirando o operador do veículo.
Controle de acesso e ajuda internacional
Delcy Rodríguez anunciou na TV estatal o envio de mais de 14 mil militares e policiais para patrulhar as áreas afetadas. A entrada em La Guaira passou a exigir autorização, limitando o acesso de voluntários que levavam água, alimentos e suprimentos médicos e acabaram bloqueando a única estrada para a região.
Dezessete voos já transportaram mais de 1.600 integrantes de equipes de resgate, vindos de México, Estados Unidos, Brasil, El Salvador, França e outros países. Cerca de 250 norte-americanos participam das operações, com times enviados da Virgínia, Califórnia e Flórida. Militares dos EUA repararam uma das pistas do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que serve Caracas, e o navio USS Fort Lauderdale está ancorado na costa para atender feridos evacuados.
Réplica constante
Mais de 400 réplicas foram registradas desde quarta-feira, incluindo um tremor de magnitude 4,8 no sábado, aumentando o risco para sobreviventes e equipes de resgate.
O Departamento de Estado dos EUA trabalha em um pacote adicional de ajuda ao montante de US$ 150 milhões já anunciado. Jeremy Lewin, responsável pela coordenação da assistência externa americana, classificou a situação como “corrida contra o tempo”.
O desastre amplia a pressão sobre Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina em janeiro após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro, e sobre o governo dos Estados Unidos, que apoia sua gestão e admite participação prolongada na reconstrução do país, mergulhado em crise econômica há mais de uma década.
Com informações de Folha Gospel