O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), restabeleceu o sigilo dos processos que investigam o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e integrantes da família do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (25), pouco mais de uma semana depois de o próprio Mendonça ter liberado o acesso a duas petições em 16 de junho, véspera do julgamento na Segunda Turma que manteve a prisão do pai e do primo de Vorcaro. Com o novo despacho, documentos e movimentações judiciais voltam a ficar inacessíveis ao público.
Relatórios da Polícia Federal que chegaram a ficar públicos apontam que Vorcaro teria custeado um padrão de vida de luxo para Ciro Nogueira. Em contrapartida, segundo os investigadores, o senador teria atuado no Congresso para defender interesses do Banco Master.
Outro documento menciona ameaças atribuídas a Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Ela teria ameaçado divulgar informações que “acabariam” com a família Vorcaro e relatou ter recebido vídeos intimidatórios alertando que ela e a mãe seriam mortas.
Durante o julgamento da Segunda Turma, o decano Gilmar Mendes foi o único a votar contra a manutenção das prisões. Ele comparou os métodos empregados no caso Master às práticas da Operação Lava Jato, classificando-as como “autoritárias” e “espetaculosas”, além de criticar o que chamou de “punitivismo inebriado” e o uso de prisões para estimular delações.
Mendonça rebateu as críticas, afirmando que a investigação aponta “contornos de máfia” e de “crime organizado mafioso”, com uso de fuzis, metralhadoras e infiltração em órgãos de segurança pública.
A decisão que restabeleceu o sigilo não tem prazo divulgado para revisão.
Com informações de Gazeta do Povo