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MPF apura denúncia de “rachadinha” com 300 indicações políticas nos Correios

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Brasília — O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação preliminar para verificar um suposto esquema de desvio de parte dos salários de indicados políticos na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A representação partiu do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (Sintect-RJ) e aponta que cerca de 300 pessoas teriam sido nomeadas sob a condição de repassar entre 5% e 15% da remuneração, prática conhecida como “rachadinha”.

Denunciados e trajetória do processo

Entre os citados estão o ex-presidente da estatal Fabiano Silva dos Santos, que comandou a empresa de 2023 a 2025, e o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), Emerson Marinho. Ambos negam envolvimento e prometem acionar judicialmente os autores da denúncia.

O caso foi inicialmente protocolado no MPF do Rio de Janeiro, mas foi remetido ao Distrito Federal em maio, porque os principais suspeitos têm domicílio funcional em Brasília e porque a sede dos Correios está na capital federal. A investigação está em fase de cruzamento de informações para decidir se será instaurado inquérito.

Como funcionaria o esquema

Segundo 13 testemunhas que prestaram depoimento ao MPF, Emerson Marinho teria atuado como “agenciador” de cargos de confiança, usando a estrutura sindical como fachada. Os indicados repassariam valores mensais que variavam de R$ 50 a R$ 1 mil — sempre um percentual da gratificação recebida — a um suposto “tesoureiro” responsável por centralizar os depósitos.

O sindicato afirma que o modelo começou no Rio de Janeiro e depois se espalhou para outros estados, como Santa Catarina e Paraná. As condutas relatadas podem configurar crimes de tráfico de influência, concussão, corrupção passiva e associação criminosa, além de improbidade administrativa.

Reações e acusações de perseguição

Em nota à reportagem, Emerson Marinho classificou a denúncia como “perseguição política” decorrente de disputas internas na federação. Fabiano dos Santos declarou não ter “qualquer poder sobre gerências regionais” e disse que apenas indicava superintendentes.

O Sintect-RJ informou que a Polícia Federal também foi acionada. Questionada, a PF afirmou que não comenta investigações em curso. Os Correios, por meio da assessoria, declararam que a diretoria “não compactua com condutas ilícitas” e que eventuais irregularidades são tratadas pela Corregedoria.

Cenário financeiro e reação no Congresso

As suspeitas surgem em meio à maior crise financeira da história da estatal. Após registrar prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a ECT recorreu a um empréstimo de R$ 20 bilhões e abriu programa de demissão voluntária. Fabiano dos Santos deixou o cargo em julho de 2025, alegando motivos pessoais.

No Senado, a parlamentar Damares Alves (PL-DF) anunciou a apresentação de um projeto para reforçar a fiscalização sobre os Correios, afirmando que pretende “pegar todos os corruptos” envolvidos.

O procedimento permanece sob análise preliminar no MPF do Distrito Federal, que avaliará se há elementos para abertura de inquérito formal.

Com informações de Gazeta do Povo