25 de junho de 2026 – A Guarda Revolucionária do Irã atacou nesta quinta-feira (25) o cargueiro Ever Lovely, de bandeira de Singapura, enquanto a embarcação utilizava um corredor marítimo coordenado pela Organização Marítima Internacional (IMO) e por autoridades de Omã no Estreito de Ormuz.
De acordo com dois altos funcionários dos Estados Unidos ouvidos pelo Wall Street Journal, o navio foi atingido por um drone iraniano nas proximidades da costa de Omã. O centro britânico de operações marítimas (UKMTO) informou que a ponte de comando sofreu danos, mas não houve feridos entre os tripulantes.
Fontes do governo norte-americano confirmaram o ataque ao Washington Post e ao New York Times. O incidente ocorreu poucas horas depois de a Marinha da Guarda Revolucionária avisar que somente rotas autorizadas por Teerã seriam consideradas seguras, classificando outros corredores como “inaceitáveis e completamente perigosos”.
Corredor sob risco
O trajeto escolhido pelo Ever Lovely passa pela porção sul do Estreito de Ormuz, próxima ao território omanense, e vinha sendo utilizado por navios que tentavam deixar o Golfo Pérsico após semanas de bloqueio e tensões na região. Segundo a empresa de monitoramento Kpler, 70 embarcações — entre elas 29 petroleiros — cruzaram o estreito na quarta-feira (24), maior movimento diário desde o início do conflito.
Na semana passada, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento prevendo que Teerã garantiria, por 60 dias, a passagem segura de navios comerciais pelo estreito. O ataque desta quinta-feira põe em dúvida a eficácia do acordo e dos esforços internacionais para normalizar o tráfego marítimo.
Suspensão de evacuação
Após o incidente, a IMO anunciou a suspensão temporária do plano que previa a retirada de mais de 11 mil marinheiros ainda retidos na região. O secretário-geral da agência da ONU, Arsenio Dominguez, afirmou que a pausa servirá para verificar se as garantias de segurança permanecem válidas.
Mais de 100 dias preso
Conforme o Wall Street Journal, o Ever Lovely passou mais de 100 dias no Golfo Pérsico antes de tentar a travessia. O navio havia embarcado mercadorias em Umm Qasr, no Iraque, e seguia rumo a Singapura quando foi atingido.
Com informações de Gazeta do Povo