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Falta de estrutura, construções precárias e escassez de socorristas agravam impacto dos terremotos na Venezuela

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Caracas – O avanço das equipes de resgate após a série de terremotos que atingiu a Venezuela em 25 de junho de 2026 expõe como a crise estrutural e institucional do país, sob o regime chavista desde 1999, ampliou a dimensão da tragédia.

Serviços de emergência insuficientes

Uma jornalista venezuelana, que solicitou anonimato por questões de segurança, relatou à reportagem que bombeiros e equipes de socorro são escassos nas áreas mais afetadas. “Em Caracas e cidades próximas não há recursos suficientes. Em La Guaira, a situação é ainda pior: falta água potável e outros insumos básicos. O Estado não tem capacidade de resposta”, afirmou.

Construções vulneráveis

Análise publicada pelo jornal espanhol Marca destaca que a Venezuela está sobre a zona de colisão das placas do Caribe e da América do Sul, onde os abalos ocorrem a menos de 20 quilômetros de profundidade, atingindo diretamente as fundações dos prédios. A esse fator geológico somam-se décadas de falta de manutenção e normas de construção desatualizadas.

Grande parte da infraestrutura de Caracas foi erguida em meados do século XX, antes das exigências atuais de flexibilidade do aço e resistência à torção. Edifícios com “piso mole” — térreos vazados para estacionamento ou comércio, sem paredes de cisalhamento — são comuns e propensos a colapsos em cadeia.

Queda da construção civil formal

A crise econômica reduziu drasticamente o setor: levantamento de 2021 do jornal argentino Clarín indica que a construção civil formal opera com apenas 1% da capacidade histórica, segundo a Câmara Venezuelana da Construção. O vazio foi preenchido pela informalidade, dificultando fiscalização e controle de qualidade.

Em evento da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab) em outubro de 2024, a engenheira Liana Arrieta de Bustillo informou que 77% das moradias venezuelanas são erguidas em assentamentos informais, muitas vezes sobre terrenos instáveis.

Programa habitacional sob suspeita

Relatório da ONG Transparência Venezuela acusa a Grande Missão Moradia Venezuela, lançada ainda no governo Hugo Chávez, de desvio de verbas públicas. Falhas estruturais nessas residências já provocaram evacuações emergenciais. Em 2017, o professor Gustavo Izaguirre, da Universidade Central da Venezuela, alertou que violações ao código de construção tornavam essas casas especialmente vulneráveis a terremotos.

Enquanto o número de vítimas fatais e feridos segue crescendo, especialistas apontam que a combinação de infraestrutura obsoleta, construção informal e deficiência dos serviços de emergência contribuiu para ampliar os efeitos dos tremores.

Com informações de Gazeta do Povo

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