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PF aponta que Vorcaro obteve dossiê confidencial sobre operação de R$ 500 mi entre Banco Master e Caixa Asset

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Brasília – Um relatório da Polícia Federal (PF) indica que o banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master, teve acesso a uma investigação sigilosa do Ministério Público Federal (MPF) sobre uma operação de R$ 500 milhões envolvendo sua instituição e a Caixa Asset, braço da Caixa Econômica Federal responsável pela gestão de fundos de investimento.

O documento, enviado ao ministro André Mendonça, relator dos casos que tratam do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), foi revelado nesta terça-feira (23). Segundo a PF, mensagens armazenadas no celular de Vorcaro mostram que ele recebeu detalhes da apuração apenas dois dias após a abertura da “notícia de fato” na Procuradoria.

Negociação considerada de alto risco

Antes mesmo de a operação avançar, técnicos da Caixa Asset classificaram o negócio como arriscado, atípico e carente de informações claras e consistentes sobre o Banco Master. Apesar da recomendação contrária, dois gerentes que se posicionaram contra a compra dos títulos acabaram afastados de suas funções.

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu auditoria para analisar a condução da transação e as decisões internas tomadas pela Caixa.

Intermediário recebia R$ 1 milhão por mês, diz PF

A investigação também menciona o empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a PF, ele embolsava cerca de R$ 1 milhão mensais para obter informações e acompanhar processos confidenciais que interessavam a Vorcaro.

Em conversas registradas, Mourão afirma que não havia ainda inquérito policial, somente a notícia de fato, e orienta o ex-banqueiro a “dar uma olhada” no material para evitar que a apuração evoluísse. A PF sustenta que Mourão atuava como operador de Vorcaro e de seu pai, Henrique Moura Vorcaro, em um grupo denominado “A Turma”, voltado a pressionar desafetos.

Acesso interno ao MPF também sob suspeita

O relatório aponta, ainda, um possível acesso irregular a sistemas do MPF por meio de uma servidora lotada no Maranhão. Os investigadores tentam esclarecer se houve invasão, falha de segurança ou concessão não autorizada de credenciais.

Em mensagens anteriores, Mourão teria pedido a Vorcaro uma lista de pessoas a serem monitoradas — incluindo familiares e empregados ligados ao Banco Master. Na troca de textos, o ex-banqueiro responde “todos, obviamente”. Em outro trecho, o intermediário garante “acesso total e ilimitado” ao sistema interno do MPF, mas diz não saber por quanto tempo essa porta permaneceria aberta.

A Gazeta do Povo informou ter procurado a defesa de Daniel Vorcaro e a Caixa Econômica Federal, que ainda não enviaram resposta até a publicação desta reportagem.

Com informações de Gazeta do Povo