Brasília – A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã desta terça-feira, 23 de junho de 2026, a Operação Parasitas para apurar um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) operados pelo Banco de Brasília (BRB).
De acordo com as investigações, mais de 3,5 mil beneficiários podem ter sido lesados, com prejuízo estimado em R$ 5 milhões. A PCDF cumpre quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nas cidades mineiras de Belo Horizonte e Igaratinga. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Como funcionava o suposto esquema
Segundo a polícia, desde pelo menos 2024 associações utilizaram contratos para autorizar débitos automáticos sem comprovação válida da concordância dos aposentados e pensionistas. Diversas vítimas relataram que nunca assinaram qualquer permissão para os descontos.
A suspeita é de que servidores do BRB tenham colaborado com a operacionalização dos débitos e a manutenção da estrutura que permitia a transferência constante dos valores. Os investigadores tentam identificar quais funcionários participaram do processo e de que forma os pagamentos eram validados.
Repetição de fraudes já vistas no INSS
O modus operandi se assemelha ao identificado pela Polícia Federal em 2025 no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), quando um esquema similar provocou desvio de mais de R$ 6 bilhões e atingiu cerca de seis milhões de beneficiários.
Pressão sobre o banco
A nova ofensiva ocorre quatro dias depois de outra operação, na sexta-feira (19), que cumpriu 50 mandados de busca e apreensão para investigar descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do DF. Entre os alvos daquela ação estavam Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB e atualmente preso por envolvimento nas fraudes do Banco Master; e Eduardo Chedid, diretor do PicPay. Não houve prisões naquela data.
Paralelamente às investigações, o BRB trabalha para concluir o balanço financeiro de 2025, cujo resultado — adiado diversas vezes — está previsto para ser divulgado em 30 de junho.
O banco foi procurado, mas ainda não se manifestou sobre a Operação Parasitas.
Com informações de Gazeta do Povo